Brincar é necessário, mas com segurança
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domingo, 19 de dezembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Com a chegada das férias de verão, a única preocupação da criançada é brincar, brincar e brincar. Os pais, por sua vez, ficam um pouco mais condencendentes e acabam cedentos aos gostos e desejos dos filhos e é aí que pode se esconder o perigo. Tanto antes quanto depois da compra de um brinquedo é preciso observar, sem neurose ou exagero, os riscos que cada um oferece.
De acordo com a coordenadora da Organização Não Governamental (ONG) Criança Segura em Londrina, Julianne Yoshii, estatisticamente está comprovado que os acidentes provocados por causas externas aumentam durante as férias de verão. ''Nesse período, muitas crianças ficam mais tempo em casa enquanto os pais continuam trabalhando. Os compromissos das crianças diminuem e elas ficam mais liberadas para brincar principalmente na rua'', comentou.
Mas ela ressaltou que, sem precisar transformar as férias da criançada em um período de prisão domiciliar, é possível evitar acidentes e tragédias tomando alguns cuidados simples. Julianne explicou que três pontos não devem ser esquecidos em hipótese alguma: observar se o brinquedo possui selo de certificação por algum órgão oficial e observar qual a faixa etária indicada pelo fabricante e manter sempre as crianças sob a vigilância de um adulto. ''Nosso trabalho é fazer com que a criança continue sendo criança, criando ambientes seguros para que ela continue brincando e se desenvolvendo'', observou.
A pedido da Folha, Julianne elencou orientações que devem ser seguidas pelos pais antes e após a compra de brinquedos e em situações comuns nas férias (veja quadro).
Nas lojas de brinquedos, alguns clientes se preocupam em observar qual a faixa etária indicada pelo fabricante e se o item tem ou não selos de certificação. Mas uma parte considerável ainda não se preocupa em saber se o brinquedo que está levando para casa é o mais apropriado. As irmãs Márcia Dias e Patrícia Dias com a amiga Roselaine da Costa Silva estão entre aqueles compradores que normalmente não olham se o brinquedo foi ou não testado por algum instituto de certificação nem qual a faixa etária. ''A gente não se lembra'', admitem.
Iguais a elas, existem muitos outros clientes, aponta o gerente de uma loja de brinquedos do Centro de Londrina, Marcos Ernst. ''Grande parte dos pais não está atento, infelizmente. A preocupação maior é sempre com o preço'', lamenta ele. Em sua loja, Ernst colocou lembretes nas gôndolas para lembrar os clientes sobre a importância de adquirir um produto testado e aprovado e de acordo com a faixa etária da criança. Mas já pensa em aumentar o tamanho do alerta porque a maioria nem os percebe.
Já o professor universitário Reinaldo José de Castro costuma verificar tanto a faixa etária quanto o selo. ''A minha preocupação são as peças pequenas'', afirmou Castro, que é pai de um menino de um ano e três meses. ''Os brinquedos que não indicam a faixa etária já descarto logo de cara'', disse. Quem também se preocupa com a qualidade do que está comprando é a arquiteta Mariza Vezozzo. Ela também se detém mais sobre a faixa etária porque se preocupa com o impacto do brinquedo sobre o desenvolvimento cognitivo e motor da criança. ''A criança tem que brincar e aprender naturalmente com o brinquedo'', concluiu.


