Brincar, brincar... e brincar
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sábado, 10 de outubro de 2009
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Corre, pula, salta, rala, chora, sua, gargalha, descobre... vive. Se alguém dúvida que brincar faz bem basta observar o ânimo de uma criança: os olhinhos flamejantes, as bochechas rosadas e o ar de satisfação escancaram aos quatro ventos a alegria infantil.
Neste Dia da Criança, celebrado amanhã, a FOLHA deixou de lado a brincadeira confinada pelo controle remoto e a interação monótona proporcionada pelas 300 frases ditas pela boneca da moda e mergulhou na fantasia sem rodeios dos pés descalços que encontram a grama, da bola que quica para lá e para cá, da escalada na árvore mais próxima, do rodopio eletrizante nos braços do pai.
Cada vez mais a criançada parece ter menos tempo para simplesmente brincar. Enclausurados em apartamentos ou sufocados por agendas semelhantes às de executivos, muitos meninos e meninas acabam privados das brincadeiras mais inocentes e viram reféns de brinquedos que mais os controlam do que permitem ser controlados.
Mas, por sorte, ainda existem crianças que conseguem ser apenas crianças. Em uma circulada rápida pela cidade é possível descobrir espaços de resistência, onde essas pessoinhas privilegiadas se enchem de vida. Até na Universidade Estadual de Londrina (UEL), imaginem, existe um pequeno mundo - a Ludoteca - onde reina a fantasia.
A molecada se associa gratuitamente e pode passar, as manhãs ou as tardes, brincando do que quiser. O aprendizado surge da convivência, da liberdade e da diversão sem limites de horas, regras ou saberes. ''Venho toda semana porque adoro brincar. Às vezes, os meninos brigam por causa de bola, mas eles são legais também'', garante Vitória Cristina Cortelini, de 8 anos. Ela e a amiguinha Isabely Lawane dos Santos, 7, não abrem mão do balanço e das fantasias de princesa que dão ingresso automático ao mundo mágico do faz de conta.
Ane Caroline Cornélio da Silva, 7, gosta de ir para a escola, porém, confessa que o melhor mesmo é passar as tardes na Ludoteca. ''Tem um monte de brincadeiras legais, mas gosto mesmo é de jogar bola'', diz. Quem garante que não nasce aí uma atleta campeã?
Entre os meninos da Ludoteca, a bola e a correria imperam absolutas. ''Aqui é muito mais divertido do que ficar jogando videogame em casa e ainda tenho um monte de amigos'', sentencia Felipe Gonçalves Maturana, 10. O melhor amigo, João Victor Loures de Oliveira, 9, logo completa: ''E tem um monte de coisa para fazer''.
Recém-chegado ao grupo, Tiago Belentane, 7, é um dos mais espoletas e, sem tempo para declarações, resume tudo numa frase: ''Eu adoro aqui''. A mãe, Rosalina Belentane, confirma. ''Tinha alguma preocupação no começo, mas já percebi que aqui é o lugar preferido dele. Ele volta para casa muito mais feliz'', comemora.
Mas quem não frequenta a UEL também pode se divertir em outros espaços, como praças e parques da cidade. Basta querer, é o que comprovam os amigos Nathália Ferraz, 10, Kaoane Kubalaki, 9, Gabriela Martins, 10, e Gabriel Casoni, 8.
Quase toda tarde, eles gastam energia na Praça Nishinomya (Zona Leste). Correm, jogam bola, sobem em árvores e voltam para casa felizes da vida. ''Nem gosto de videogame'', garante Kaoane. ''É muito chato ficar em casa assistindo TV o dia inteiro'', afirma Gabriel. ''Eu também fico sufocada quando só fico em casa'', acrescenta.
Por lembrar da liberdade que tinha na infância, o eletricista João Carlos Braz, 45, não abre mão de se divertir com os filhos Isadora, 2, e João Pedro, 8. E de vez em quando arrasta junto a sobrinha Raissa, 3. ''Acho muito importante para eles. Como, mesmo pequenos, já têm muitos compromissos, eu procuro brincar com eles para sair um pouco da rotina'', diz o pai, entre um rodopio e outro no gramado da praça.
A mamãe Amauê Jacinto, 23, também frequenta a praça quase todos os dias com Eloá, 3, e Kauã, 10 meses. Descendente guarani, a jovem universitária conhece bem o valor da liberdade. ''Para ir embora depois é uma luta, mas adoro trazer eles aqui e deixá-los bem à vontade. Acho isso muito importante porque ajuda no desenvolvimento deles'', argumenta.


