''O que a gente vê hoje na sociedade, de modo geral, é a antecipação de algumas coisas, principalmente com relação à alfabetização das crianças, em decorrência de se pensar no futuro'', constata a pedagoga e assessora pedagógica de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação, Cleide Vitor Mussini Batista.
No entanto, a pedagoga acredita que as vivências e as brincadeiras ainda devem ocupar a rotina da criança pequena, porque são elas que vão formar as bases para o aprendizado da leitura e da escrita: a imaginação e a criatividade. ''Se isso está bem desenvolvido, eu vou me tornar um bom leitor e produzir ótimos textos.''
De acordo com a pedagoga, a criança na Educação Infantil já costuma pensar sobre a escrita. Isso pode ser percebido, por exemplo, nas situações em que ela faz rabiscos em um papel e diz que ali está escrito algo. Por isso, por meio da brincadeira, ela pode começar a apropriar-se da escrita e da leitura sem perceber, no que Cleide chama de ''ler sem saber ler'', ou ''escrever sem saber escrever''. ''Ouvindo estórias desde bebê, manuseando um livro, diferenciando as imagens da escrita, a criança vai vendo a topologia das letras e palavras. Ouvindo cantos, trava-línguas, ela vai adquirindo uma consciência fonológica, distinguindo e fazendo a relação letra-som'', exemplifica.
O que a criança deve fazer, então, na Educação Infantil? ''Brincar, brincar, brincar'', responde Cleide. ''E que, por meio do brincar, a criança explore o espaço, se aproprie do tempo. Acho que essa seria a única via para a criança se apropriar das coisas, principalmente da questão do letramento'', completa. (M.F.C.)

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