Brincadeiras de rua são risco para crianças
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terça-feira, 24 de agosto de 2004
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Atropelamentos de crianças registrados recentemente pela Companhia de Trânsito de Londrina estão expondo um risco que às vezes não é considerado pelos pais: as brincadeiras de rua, como jogar bola e soltar pipas, não são tão seguras quanto se imagina. E apesar de destacar que os motoristas precisam ser sensibilizados quanto ao problema, o comandante da companhia, tenente Ricardo Eguedis, afirma que grande parte dos atropelamentos registrados na cidade são de responsabilidade dos próprios pedestres.
Estatísticas levantadas pela companhia apontam para ligeira queda no número de atropelamentos envolvendo crianças nos primeiros seis meses do ano, comparados ao mesmo período de 2003. Segundo o tenente Eguedis, 44 menores estiveram envolvidos neste tipo de ocorrência no primeiro semestre do ano passado, sem vítimas fatais. Até julho deste ano, são 37 acidentes.
''A diferença para este ano é que duas crianças já morreram este mês'', destacou o tenente. O comandante refere-se às mortes de Vitor Hugo Oliveira, de 8 anos, na Zona Sul, atropelado por uma caminhonete conduzida por Marcelo dos Santos, e à de Osvair Alves, um índio caingangue de apenas 2 anos, atropelado pelo mecânico Luiz Marques Pereira, na Avenida 10 de dezembro.
''É mais comum registrarmos ocorrências desse tipo na periferia de Londrina, onde ainda existe o hábito das brincadeiras de rua'', explica Eguedis, destacando ainda que os acidentes geralmente têm mais gravidade devido à altura das vítimas. ''Crianças sofrem o impacto dos carros na cabeça e no tórax, diferente de adultos, que são atingidos nas pernas. No caso das crianças, essa é a causa para a maior gravidade'', diz.
Cobrando responsabilidade dos motoristas, o tenente afirma que a proteção que o carro oferece ao condutor é a principal causa para atos de irresponsabilidade no trânsito. ''A impressão é que existe uma negligência. A atenção que o motorista dispensa na direção é fator determinante na gravidade de um acidente'', afirma.
O tenente ressalta, porém, a responsabilidade dos pedestres nos acidentes. Eguedis não soube precisar a quantidade de ocorrências nas quais pedestres são os responsáveis, mas diz que esse tipo de acidente acontece com grande frequência em Londrina. Nestes casos, a polícia não conta com muitos recursos para prevenção e punição.
''O Código de Trânsito Brasileiro prevê penalidades para pedestres que não cumprem algumas normas. Entre elas estão caminhar na faixa, não usar pistas de rolagem para trânsito a pé e obedecer sinalizações como semáforos. A multa é de R$ 26,60, mas na prática, não há como cobrar'', explica o tenente. ''Não temos como usar o CPF ou a identidade de uma pessoa para aplicar uma multa'', afirma.
''O agravante em uma cidade como Londrina é que ela tem uma frota de quase 200 mil veículos, e apesar de ser uma metrópole, a população tem hábitos do interior, como andar ou brincar no meio da rua. Essa consciência precisa ser despertada, tanto no motorista quanto no pedestre'', conclui o comandante.


