Curitiba - Alisson da Silva Santana passou uma a manhã lutando boxe e jogando tênis. Não, ele não estava num clube. Santana estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital da Capital, por conta de uma pneumonia. A brincadeira com o videogame Nintendo Wii é na realidade parte da fisioterapia à qual o rapaz foi submetido para recuperar a capacidade respiratória.
O Wii foi integrado à rotina do Hospital Vita Curitiba em 2009. ''Fizemos um trabalho inicial de março a setembro do ano passado para avaliar se era seguro'', explica Esperidião Elias Aquim, coordenador-geral da Fisioterapia dos Hospitais Vita. A meta é implantar o uso do videogame no Vita Batel em março de 2010. Aquim se inspirou em trabalhos realizados no Canadá para implantar o videogame. Depois dos testes, o hospital decidiu incorporar o equipamento ao tratamento de pacientes que perderam total ou parcialmente os movimentos.
A preocupação, explica, era com a possibilidade do videogame provocar alterações na pressão sanguínea e a frequência cardíaca do paciente. ''A atividade física libera endorfina, que é um anestésico natural e pode mascarar os limites do paciente'', esclarece. Hoje o Wii é utilizado como parte do trabalho de fisioterapia. ''A pessoa utiliza o equipamento sempre acompanhada de um fisioterapeuta que o orienta e também observa os sinais vitais do paciente'', conta.
Aquim conta que o uso do Wii tem ajudado os pacientes a aderir com maior entusiasmo ao tratamento. ''Tem gente que fica perguntando quando é a hora da fisioterapia, coisa que não observávamos antes. Isso porque o exercício com o aparelho é mais empolgante do que aquele feito de forma tradicional'', relata.
Apesar disso, outros recursos da fisioterapia não são deixados de lado. ''O Wii é uma complementação'', esclarece. ''É uma forma mais lúdica, mais prazerosa de fazer o paciente que ficou muito tempo imobilizado se movimentar'', completa.
O aspecto lúdico do tratamento é também o que observou o jovem Alisson, cujo uso do Wii o ajudou a realizar movimentos importantes para sua recuperação. ''O jogo faz a gente se movimentar muito e é divertido'', destaca. ''Foi uma distração. Na UTI ele ficou sozinho porque não é permitido acompanhante'', conta o pai do rapaz, o promotor de vendas Maurício Rodrigues Santana.
O Nintendo Wii é um videogame cujos controles detectam os movimentos do jogador e os utilizam na ação desenvolvida na tela. O encantamento dos pacientes com o recurso é tamanho, conta Aquim, que já houve casos de pessoas que compraram o equipamento depois de serem submetidos ao tratamento no Vita.

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