Se você acha que seu filho está indo na pré-escola só para brincar, não se preocupe. Ele está no caminho certo. Desde que a brincadeira esteja contextualizada (esteja inserida num processo de aprendizado), ela é fundamental na construção do conhecimento. Quem garante é a educadora Ana Duque, co-autora do livro ‘1, 2 e tudo que vem depois’.
Ana Duque está em Londrina ministrando o curso ‘A vida no cotidiano da escola: 1, 2 e tudo que vem depois’, a convite do Sesc Londrina Aeroporto. Ela é diretora da Escola Senador Correia, no Rio de Janeiro, e de Programas Especiais de Educação Infantil. O curso, dirigido a professores, começou ontem e termina hoje.
‘‘O espaço da escola deveria guardar e resguardar a brincadeira. Tudo que nos desperta interesse, o prazer, nós aprendemos. A brincadeira é uma coisa nata da criança’’, observa. Ana Duque comenta que até os anos 80, a educação infantil tinha um caráter assistencialista, passando depois a ter enfoque um pouco compensatório, no qual acreditava-se que a pré-escola serviria apenas como base para o ensino do 1º grau.
A visão atual, de que a educação infantil é cuidar e educar, foi construída após vários estudos. ‘‘As crianças, quando chegam à escola, trazem consigo seus conhecimentos e é necessário aproveitá-los e avançar a partir da풒, comenta Ana Duque.
Ela ressalta que a educação não começa quando a criança chega à escola. ‘‘O diálogo em casa é fundamental. O diálogo é educar. Os pais vivem se perguntando onde foi que erraram na educação de seus filhos. Muitas vezes, erraram ao não prestar atenção no que a criança faz, ao não lhe dar atenção.
Embora ainda existam pelo Brasil afora muitas pré-escolas sem método de ensino específico, as chamadas ‘depósitos de criança’, Ana Duque observa que o conceito de educar pelo lúdico já está enraizado na educação infantil. O que falta agora é levar esta forma de educar, pelo menos, até o 4º ano do primeiro grau.
‘‘Os parâmetros curriculares que começam a chegar este ano já apontam para um caráter mais lúdico no ensino fundamental, como por exemplo, alfabetizar utilizando-se da poesia, da música popular brasileira, do teatro. Interagir com o que está na vida.’ A educadora defende a posição de que as escolas devem abrir suas portas para a comunidade. Segundo ela, esta nova visão já pode ser encontrada em algumas cidades do País.
Para atender as novas perspectivas de ensino é necessário que os professores também sejam criativos em sala de aula. ‘‘Todos nós temos o potencial da criatividade. Basta desenvolver,’ sustenta Ana Duque. Durante o curso, ela está divulgando o livro ‘1, 2 e tudo que vem depois’, que classifica como mais um recurso para o professor trabalhar com as crianças de forma interativa de construtiva.
Segundo ela, o livro se propõe a abrir um pouco o espaço para criação do professor. Ana Duque ressalta a importância do educador nunca tolher a criatividade do aluno e cita um exemplo: ‘‘Certa vez, numa prova foi perguntado aos alunos como atravessar rios, mares e montanhas. Um aluno fez uma lista de possibilidades, colocando windsurf, barco, ultraleve, avião, etc. A resposta foi considerada errada porque no livro constava apenas as possibilidades da ponte, para rios e mares, e do túnel para as montanhas.’Arquivo FolhaLúdicoEspaço da escola deve guardar e resguardar a brincadeira; crianças aprendem com mais facilidade através de experiências e jogos que despertam interesse e prazer
Benê Bianchi

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