Brincadeira de fazer sorvete virou trabalho
Dos 447.065 londrinenses, 13.696 estão na área rural. A artesã Josemara Faria Lima, 14 anos, é uma delas. Ativa participante do Núcleo de Atividades Viva-Vida do distrito de Guaravera (zona sul), a garota faz tapetes em crochê e almofadas de fuxico desde os seis anos de idade. De vez em quando, consegue vender uma peça. ''Comprei uma calça nova com os R$ 15,00 ganhos com a venda do último tapete'', conta a garota.
Embora de família pobre o pai é bóia-fria e a mãe cuida da casa e dos quatro filhos , Josemara não se intimida com as adversidades. Todas as manhãs vai para a Escola Municipal João Kennedy, onde cursa a 7 série, à tarde limpa a casa, e à noite, das 18 às 24 horas, faz crochê. ''Quero ser professora de artesanato'', diz ela feliz. A casa é mantida com os R$ 100,00 da bolsa-escola, do governo federal e, às vezes, com as diárias de R$ 10,00 que o pai José Faria Lima ganha como bóia-fria no campo.
Sete trabalhos da adolescente quatro tapetes e três telas estão expostos na Secretaria Municipal de Cultura, no centro da cidade, juntamente com obras de artesãs experientes da Associação dos Trabalhadores Artesanais de Londrina (Atal). Na abertura da exposição, a presidente da entidade, Neuza Alves Ferreira, elogiou a perseverança e atuação da menina, que mora com os pais e os três irmãos em Guaravera. A intenção de Josemara é colocar as peças para venda em consignação em uma loja no centro de Londrina.
Com 16 anos, Fernando Henrique Vieira de Souza, do município de Sertaneja, já é um microempresário. Seu prazer é fazer sorvetes, atividade que começou com uma brincadeira, há quatro anos. ''Tínhamos apenas uma pequena caixa de isopor'', relembra o garoto, que já adquiriu ao longo deste tempo uma antena parabólica, vídeo, computador e um jogo de quarto novo. Os bens foram adquiridos por Fernando para toda a família.
O trabalho é duro. Começa cedo, às 6 horas, e vai até às 20 horas. Durante todo este período ele fica envolvido com a produção de 500 a 1 mil picolés na máquina comprada há quatro anos. O dia só termina depois das aulas no Colégio Estadual Cecília Meirelles.





