Donos de uma fábrica de vassouras de palha no Distrito de Maravilha (Zona Sul de Londrina) viram um barracão instalado há 35 anos ser engolido pelo fogo no final da manhã de ontem. O incêndio que destruiu tudo em questão de minutos foi provocado por duas crianças de quatro e seis anos que ''brincavam de acender cigarros''.
A fábrica pertence à família de Eliodoro Furtoso, 76 anos, que chegou à região na década de 40. Ontem, por volta das 10h30, o pioneiro deixava o sítio onde mora e no qual funciona o empreendimento, quando ouviu a nora gritar que o barracão estava queimando. ''Tentei puxar uma mangueira d'água para apagar o fogo, mas ele se espalhou muito rápido'', lamentou.
As primeiras equipes do Corpo de Bombeiros chegaram rápido, mas só tiveram tempo de evitar que as chamas atingissem a casa vizinha. Já a carreta que levava água para abastecer o caminhão dos bombeiros levou quase meia hora para encontrar o local, devido a uma falha na comunicação entre os moradores e a central, conforme a reportagem testemunhou. Foi preciso remover todo o material queimado para prevenir novos focos de incêndio.
Com jeitinho de criança que não tem noção da arte que aprontou, Gabriel, de quatro anos, contou como começou o incidente. ''Meu irmão tava atrás do sofá (dentro do barracão), pegou um fósforo e tacou no papel'', disse, ''entregando'' Rafael, seis anos, que permaneceu escondido por medo de apanhar. Nenhum dos dois se feriu.
''Talvez tenha faltado um pouco mais de orientação. As crianças confirmaram que estavam 'brincando de pitar', coisa de meninos'', observou o tenente do Corpo de Bombeiros, Clodomir Marafigo. Ele acrescentou que, sob clima quente e seco, qualquer faísca era suficiente para detonar um incêndio em meio à palha.
Além de muitas vassouras prontas, havia palha seca acumulada nos últimos quatro meses no local. Nelson Frutoso, 50 anos, filho de seo Eliodoro, calculou prejuízo de R$ 8,5 mil com produtos e matéria-prima, e de pelo menos R$ 3 mil com a perda do imóvel. Os pequenos empresários rurais, que vendiam as vassouras até para clientes de Santa Catarina, disseram que vão demorar alguns meses para recuperar o negócio.
''Acho que o barracão deve levar pelo menos 60 dias para ser reconstruído, mas o pior é que estamos em período de entressafra. Só vamos voltar a plantar matéria-prima em agosto'', resignou-se o caçula da família, Mauro Sérgio, 30 anos.

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