Briga por linhas de ônibus vai à Justiça
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segunda-feira, 15 de setembro de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
Marcos NegriniDesafioAntonio Malvezi, em um dos ônibus que pretende colocar em operação: Estou baseado na leiO empresário Antonio Malvezi disse ontem que vai brigar judicialmente para colocar em operação 50 ônibus no transporte coletivo de Maringá. Ele argumentou que existe deficiência no serviço e que a Transporte Coletivo Cidade Canção (TCCC), única empresa que opera na cidade, está colocando mais ônibus em circulação depois que soube que ele adquiriu veículos para brigar pela concorrência no setor.
A TCCC começou ontem a operar com mais 15 veículos de última geração, servindo as principais linhas. Mesmo com mais ônibus ainda faltam pelo menos 50 veículos para servir todas as linhas e é onde eu pretendo operar, informou Malvezi.
O empresário prometeu lutar contra todos os obstáculos que forem impostos tanto pelo município quanto pela TCCC. Estou baseado na lei e eles (prefeitura e TCCC) sabem que eu tenho razão, afirmou. Malvezi denunciou que na sexta-feira, quando trazia os veículos do Rio de Janeiro e de Goiânia, foi interceptado em São José do Rio Preto e Presidente Prudente (interior de São Paulo). Passamos por vistoria da Polícia Rodoviária, das receitas Estadual e Federal e ainda da Polícia Federal, mas ninguém comprovou nenhuma irregularidade, disse.
O único problema detectado pela polícia, informou Malvezi, foi a falta de estepe nos ônibus. Os veículos, no entanto, estavam acompanhados por um carro-oficina. Conseguimos liberar todos os veículos sem problemas, o que prova estarmos legalizados, disse. Ele acredita que a diretoria da TCCC tenha acionado as polícias e a receita. Em Presidente Prudente, onde eu fui parado com um comboio, tinha um gerente da TCCC acompanhando os trabalhos no posto policial, garantiu.
Malvezi informou que está brigando para operar no transporte coletivo de Maringá há seis anos. Por duas vezes seus ônibus foram apreendidos ou impedidos de prestar o serviço. Sempre alegaram que eu não tinha veículos suficientes para trabalhar, mas agora tenho quantos forem necessários e ninguém vai me impedir. Ele argumentou que com a Constituição de 1988, os serviços públicos onde não existe permissão ficaram abertos a novas licitações.
Segundo Malvezi, a TCCC tem uma permissão para operar em Maringá concedida na época que a cidade era distrito de Mandaguari. Portanto, eles (a TCCC) estão trabalhando irregularmente, disse. A intenção do empresário é de garantir o transporte coletivo 24 horas nas linhas onde for operar, com uma tarifa de R$ 0,50. A tarifa da TCCC é de R$ 0,75.
Não vou apresentar valores superfaturados como faz a TCCC, criticou Malvezi. Ele informou que o valor que vai cobrar é lucrativo e mencionou como exemplo a linha entre Maringá e Sarandi, feita pela própria TCCC com tarifa de R$ 0,65, apesar da distância maior e do número menor de passageiros.
A Assessoria Jurídica da prefeitura de Maringá informou que existe um contrato com a TCCC, que tem a permissão por tempo indeterminado para explorar o serviço de transporte coletivo na cidade.
O prefeito Jairo Gianoto (PSDB), afirmou que não vai receber Malvezi e que o município está baseado na lei para impedir que ele coloque ônibus no transporte coletivo. Se ele colocar os veículos nas ruas vamos mandar recolher, avisou o procurador geral da prefeitura, Otávio Salvadori. O gerente da TCCC em Maringá, Roberto Jacomelli, estava ontem em reunião e não pôde atender a reportagem da Folha.


