Briga na PCE termina com a morte de quatro presos
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segunda-feira, 07 de maio de 2001
Andréa Lombardo De Curitiba 
A falta de segurança tomou conta da Penitenciária Central do Estado, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), uma das unidades do sistema penitenciário que deveria ser de segurança máxima. Na manhã de ontem, briga entre presos deixou saldo de quatro mortos. Um dos presos, depois de morto a estocadas, teve o corpo queimado. Do começo do ano até agora, nove detentos foram mortos dentro da PCE.
O primeiro homicídio aconteceu no pátio do presídio, por volta das 10 horas da manhã. Cláudio Santos Tavera, 24 anos, foi morto com golpes de estoque (arma de fabricação caseira) por Mário Machado Pereira, 21 anos. Tavera já havia cumprido seis anos e meio dos 13 anos a que tinha sido condenado por homicídio qualificado. Pereira afirmou que matou Tavera porque ele se recusou a assumir a autoria de um homicídio que estava sendo planejado.
Dois presos participaram dos outros três assassinatos, que aconteceram na cela 14 da penitenciária. Edson Amadeu Ferreira de Lima, 42 anos, preso por assalto, e José Pereira da Silva, 28 anos, preso por roubo, assalto e ato libidinoso, mataram Avalcir Ribas, 29 anos (condenado a 21 anos por assalto), Orlando de Oliveira, 29 anos (preso por estupro), e Sílvio Tomaz da Silva, 27 anos (condenado a seis anos e meio por furto). Este último foi colocado em cima de um colchão que foi incendiado.
O coordenador do Departamento Penitenciário (Depen), Pedro Marcondes, afirmou que apesar de não ser uma situação ideal, vê as mortes dentro da PCE com razoável normalidade, tendo em vista acontecerem num ambiente onde estão 1,4 mil presos. As razões dos crimes, segundo ele, são acertos de contas entre os presos, muitas vezes, por desentendimentos anteriores à entrada deles no sistema penitenciário.
O fato dos presos terem acesso a materiais que acabam sendo usados como armas, Marcondes justifica que muitos desses objetos são remanescentes da última rebelião (em outubro de 2000) e, também, das recentes obras de reforma de uma das alas da penitenciária. A única ação para diminuir os homicídios são as vistorias internas pela Polícia Militar para eliminar as armas. Mas as mortes vão continuar acontecendo, admitiu.
Padre Roque Zimmermann, deputado federal e membro da Comissão de Direitos Humanos afirmou que o Estado é responsável pela vida dos detentos e se está permitindo que essas mortes aconteçam é omisso e irresponsável. Padre Roque disse temer estar havendo queima de arquivo na PCE. Ele revelou já ter recebido cartas de vários presos que estariam recebendo ameaças.


