Briga judicial se arrasta há mais de duas décadas
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domingo, 23 de novembro de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
Arquivo FolhaInvasõesÍndios se incomodam com visitas a vizinhos indesejáveisUma briga judicial que dura mais de 25 anos entre brancos e índios, é um dos mais antigos conflitos agrários do Norte do Paraná. Na reserva Pinhalzinho, em Tomazina (101 km ao sul de Jacarezinho), quatro famílias descendentes de um ex-funcionário do antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) dividem 120 hectares, de um total de 593, com aproximadamente 100 índios das tribos caíva, terena e guarani.
As famílias de Faustino Gomes, Antônio Lázaro dos Santos, Antônio Pereira Gomes e Maria José Gomes vivem ilhadas pelos índios. Os lotes onde moram há décadas foram cercados, delimitando a área que eles dizem ser deles por direito e o que é dos índios. Isso os obriga a passar por dentro da reserva para qualquer atividade, principalmente o escoamento da safra.
A família de Antônio dos Santos vive numa casa construída pela Funai, a cerca de 20 metros da escola. O que incomoda os índios são as invasões constantes de amigos e parentes dos vizinhos indesejáveis, desrespeitando a norma da Funai que estabelece que qualquer pessoa que entre em reservas deve comunicar o cacique e o chefe do posto.
Em 1994, o clima ficou tenso entre as partes, principalmente com as ameaças de morte a índios e funcionários da Funai. O posseiro Faustino Gomes não aceitou a escolha do novo cacique, Euclides Ribeiro, e da indicação da nova funcionária da Funai na reserva, Helena Lopes Martins.
Os índios acusaram Faustino de ter destruído lavouras de subsistência, passando com trator em cima da lavoura de feijão. Os outros posseiros foram acusados na época de soltar o gado nas demais plantações, como a de amora que sustentava a cultura do bicho-da-seda da comunidade.
Foi preciso a intervenção da Polícia Federal para que a situação voltasse à normalidade. Como em outros conflitos agrários dentro de reservas há índios que são totalmente favoráveis aos brancos. E até trabalham nas lavouras em troca de alimento ou dinheiro. Os posseiros justificam o direito à terra por serem herdeiros do primeiro administrador da reserva Pinhalzinho. A Funai rebate, garantindo que o único documento da área é uma doação das terras da União, datada de 1903, muito antes do funcionário da SPI ser contratado para trabalhar na região.


