Curitiba No 12 de setembro de 1983, um grave acidente na hora de saída dos alunos do Colégio Nossa Senhora Medianeira, em Curitiba, mudou a vida da família Tocafundo. Ao sair pelo portão principal, o motorista do ônibus da Trans Isaac empresa responsável pelo transporte escolar , bateu com a lateral do veículo no aluno da 5 série, Emerson Tocafundo, prensando-o contra o muro. Com pernas e quadril fraturados e esmagamento de órgãos na região do abdômen e cintura, Emerson, então com 11 anos, permaneceu 100 dias na UTI e outros 300 internado.
Vinte anos, 70 cirurgias e centenas de exames depois, Emerson ainda mantêm as sequelas do acidente, o que lhe obriga a uma rotina de exames, consultas e ingestão de inúmeros medicamentos. A batalha judicial entre a família Tocafundo, o Colégio e a empresa de ônibus também está longe de acabar. Segundo o irmão de Emerson, Ronaldo Tocafundo, apesar da família ter obtido ganho de causa na Justiça, os únicos recursos que conseguiu receber foram três meses de pensão, no valor de R$ 2 mil cada, retidos em penhora por via judicial.
Segundo ele, em 1994, ''como Emerson continuava vivo'', o colégio decidiu parar de pagar o hospital e ingressar com uma ação contra Emerson e seu pai para isenção de responsabilidade e de cobrança dos valores já pagos.
O advogado que representa o colégio, Eloi Tambosi, nega esta situação. ''Já participamos de inúmeras reuniões para tentar um acordo mas nunca se chegou a um ajuste'', afirma. Segundo ele, o colégio reconhece a sentença judicial que o responsabiliza pelo acidente, mas como não houve acordo, está depositando o valor em juízo.
A setença que condenou o colégio e a empresa de ônibus foi confirmada em 1992, que teriam que indenizar a vítima por danos morais, pagar lucros cessantes e pensão alimentícia, já que Emerson está incapacitado para o trabalho, além de arcar com todas as despesas médicas do passado e futuras.
''O problema é que a sentença não fixou valores'', diz o advogado da Trans Isaac, José Cesar Valeixo, lembrando que o proceso tornou-se especialmente moroso a partir da fase de liquidação, onde se apuraram os valores da indenização, tendo sido julgada pelo Tribunal de Justiça dez anos depois, em novembro de 2002. Mas o colégio entrou com recurso especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Cinco ações de execução já foram feitas mas, segundo Ronaldo, nada foi pago. ''Na frente da Justiça eles dizem que vão cumprir o determinado e que vão pagar, mas não cumprem'', afirma.
Ele não sabe precisar os gastos que a família teve nestes anos todos, mas aponta que a família teve que se desfazer de vários imóveis para custear o tratamento de Emerson, que é todo particular, já que, segundo ele, Emerson não pode ter plano de saúde, pois as sequelas são caracterizadas como pré-existentes. Ronaldo diz que seu pai vendeu 36 imóveis para pagar os gastos com o filho. ''São 20 anos de luta. E o que mais revolta é que é um colégio católico tenha este tipo de atitude'', desabafa.

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