Briga entre vizinhos sacrifica árvores
Edinelson Alves
De Rolândia
Especial para a Folha
Os sócios do Clube do Tiro de Arapongas (CTA) estão revoltados com um vizinho da propriedade, localizada na área rural de Rolândia, que acusam de abrir uma fenda no tronco de 125 árvores e colocar veneno (possivelmente Tordon) para destruí-las. As grevíleas, com mais de 15 anos, embelezam a entrada e marcam a divisa entre o CTA e o sítio de Gonçalves Rissato, apontado como o responsável por colocar o herbicida nas árvores.
Mesmo sendo consideradas plantas exóticas, que podem ser cortadas mediante autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), os sócios do clube classificam a ação de Rissato como um crime passível de processo Criminal e Cível. Estamos apenas aguardando o desfecho do inquérito policial para entrar com as devidas ações. Não podemos aceitar que uma pessoa possa cometer um ato tão brutal contra a natureza e permanecer impune, garantiu um dos sócios.
O delegado de Rolândia, Antônio do Carmo, disse que aguarda apenas um laudo do IAP para dar prosseguimento ao inquérito. Como há testemunhas que viram o proprietário vizinho e seus trabalhadores cortando as árvores justamente naquele dia em que foi encontrado o veneno nos troncos, fica claro que isso levará ao indiciamento do acusado, pois são provas concretas, disse o policial.
A pedido do Clube do Tiro, o IAP esteve no local, viu os cortes e também o veneno colocado no tronco das árvores, mas o técnico de recursos naturais, Luiz Ribeiro Lopes, alega que não pode fazer nenhuma autuação. As árvores são exóticas e o que existe ali é uma disputa pela divisa. Tanto que Gonçalves Rissato esteve no IAP e pediu uma autorização para cortar as grevíleas. Se as árvores não estiverem na propriedade dele, cabe a outra parte entrar na Justiça para embargar o corte, aconselhou o técnico.
Lopes também disse que Rissato comentou, durante sua visita ao IAP, que teria marcado as árvores já pensando na possibilidade do corte. Para o técnico em recursos naturais, a questão começará a ser resolvida quando houver a definição exata da divisa. As duas partes devem contratar um agrimensor para que seja feita nova medição dos lotes. Se for confirmado que as árvores estão na divisa, somente poderá haver o corte das grevíleas se houver a concordância das duas partes.
Um agrônomo ouvido pela Folha garantiu que são mínimas as chances das árvores resistirem ao veneno. Se realmente foi colocado o Tordon de forma concentrada, dificilmente as plantas terão condições de resistir. A morte das árvores é uma questão de tempo, previu o agrônomo.





