A polícia de Londrina já ouviu três testemunhas do crime da professora Danyelle Bouças Fernandes, 27 anos. Os três são moradores do edifício Regina Isabel (rua Piauí, 61, centro), onde a vítima morava com o marido, o piloto de avião Roberto Wagner Fernandes, e a filha de dois anos. Danyelle morreu na madrugada de anteontem, após ser atingida com dois tiros, um no abdômen e outro na região do tórax, acima do mamilo direito. O marido fugiu do apartamento logo após o crime e até ontem à tarde não havia se apresentado à polícia.
O casal de médicos Sérgio Akira Takayama e Beatriz Emi Tamura foi ouvido anteontem, no final da tarde, pelo delegado do 1º Distrito Policial, Antônio do Carmo, que preside o inquérito. Sérgio e Beatriz moram no apartamento 1.204, um andar acima do local do crime. Beatriz contou à polícia que ia se deitar quando começou a perceber uma vibração na parede do quarto, como se um objeto estivesse sendo jogado na parede. A médica disse que olhou pela janela e viu várias pessoas, do prédio vizinho, olhando em direção ao edifício Regina Isabel. Afirmou que sentiu forte cheiro de álcool e ouviu a voz de uma mulher embriagada.
Ouviu som de objetos caindo e uma voz de mulher, que ela acredita ser de Danyelle, dizendo ‘‘Beto’’. Logo depois, reconheceu a voz de Roberto Fernandes pedindo ‘‘calma’’. Beatriz contou ainda que escutou Danyelle chamar por ‘‘Andr钒 e ‘‘Sérgio’’. A médica afirmou ter escutado dois tiros e, depois, um terceiro tiro, mas desta vez o som era abafado.
Ontem, pela manhã, o delegado Antônio do Carmo ouviu a médica Inês Ogai Nakamoto, moradora do 1.103 do Regina Isabel. Em seu depoimento, ela contou que ouviu o barulho de um objeto caindo no pátio e sentiu forte odor de álcool. Inês Nakamoto entrou no apartamento, que estava com a porta destrancada, junto com o porteiro, Láercio de Oliveira, e outra vizinha, a médica Raquel Cristina Guapo Rocha.
Inês explicou ao delegado que o quarto de Danyelle estava com a porta fechada e havia sangue na maçaneta. A TV também estava ligada. Segundo depoimento da médica, a sogra de Danyelle chegou ao apartamento da vítima logo depois, antes mesmo da polícia e do Siate.
O delegado Antônio do Carmo afirmou que, depois de ouvir os depoimentos dos três vizinhos, está ‘‘convicto’’ que houve discussão entre o casal Fernandes. Antônio do Carmo descarta a hipótese de suicídio com base nas partes do corpo que foram atingidas.

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