Briga de irmãos afeta distrito
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sexta-feira, 27 de março de 1998
Célia Baroni 
A falta de entendimento entre o subprefeito Aliceu Choucino e o subdelegado João Choucino - irmãos - está afetando a comunidade do distrito da Warta, na zona norte de Londrina. Moradores e o suplente de delegado, João Manduca, reuniram-se ontem para protestar contra o que consideram desmandos do subprefeito. Acusam Aliceu Choucino de centralizar todas as decisões e de atrapalhar o trabalho da polícia. O subprefeito tem de se preocupar com a subprefeitura e deixar a polícia trabalhar, garantindo a segurança e a paz na comunidade, ataca Manduca.
A polêmica começou na semana passada, quando o subdelegado pediu reforço à Polícia Militar (PM) para combater o consumo e o tráfico de drogas no distrito. Os policiais detiveram nove rapazes, um deles por porte de drogas. Segundo Manduca, eles confessaram ser usuários, receberam orientação e foram liberados em seguida com o aviso de que deveriam comparecer ao 5º Distrito Policial, na zona norte de Londrina, para depor.
Na quarta-feira, os rapazes se apresentaram no 5º DP, negaram ser usuários e disseram ter sido torturados pelos policiais. Segundo Manduca, eles agiram com orientação do advogado do subprefeito. Os interesses da comunidade têm de estar acima das questões políticas. Ao proteger estes rapazes, o subprefeito está incentivando o consumo de drogas e prejudicando o trabalho da polícia, afirma.
A gente não tem mais tranquilidade. As rodas de fumo estão cada vez mais frequentes aqui. O pessoal nem se esconde mais. Só a polícia pode espantar os traficantes. Eles estão fazendo nossos meninos se perderem na droga, diz a dona de casa Maria do Carmo Justino, 41 anos. Ela foi uma das mães que correram para a subdelegacia quando, na sexta-feira da semana passada, a polícia deteve os rapazes. Maria do Carmo garante que os policiais não foram violentos.
A dona de casa Neusete Reis Bento, 46 anos, também defende a ação dos policiais. Todo mundo sabe que a situação é grave. Há muito tempo a gente vinha cobrando providências da polícia. É lamentável ver que o subprefeito não quer ajudar a resolver o problema das drogas, reclama.
O subprefeito está dando mais importância a questões políticas do que ao interesse da comunidade, afirmou o subdelegado de Warta, João Choucino. Ele está no cargo há 16 anos. Segundo ele, o irmão ajudou a acobertar os rapazes para prejudicar o trabalho que a subdelegacia vem realizando. João conta que quando assumiu a subprefeitura, em janeiro de 97, Aliceu Choucino nomeou outro subdelegado. Mas João Choucino foi reconduzido ao cargo pelo prefeito Antonio Belinati (PDT).
O presidente da Associação de Moradores, Anderson Choucino (sobrinho do subdelegado e do subprefeito), esclarece que os moradores não querem a saída do subprefeito. Queremos apenas que ele deixe a polícia fazer a parte dela, afirma. Cerca de 2 mil pessoas moram no distrito da Warta.
Aliceu Choucino nega as acusações. Não ajudei nem orientei os garotos. Sou a favor da ação da polícia no combate às drogas. Mas defende que a denúncia dos meninos contra os policiais deve ser apurada. Não podemos admitir abusos por parte da polícia. Se ficar comprovado que usam algum tipo de droga, eles precisam é de ajuda para sair do buraco.
Aliceu Choucino acredita que as reclamações feitas pelo irmão são mais uma armação contra ele. Estes meus irmãos ficam o tempo todo procurando alguma forma de me envergonhar perante à comunidade. Subprefeitura, subdelegacia e moradores têm de trabalhar juntos.
A acusação de espancamento contra os policiais partiu do operador de máquinas Francisco Aparecido Costa. Ele esteve na Folha de Londrina, ontem à tarde - acompanhado do subprefeito - e contou que o filho, Oseias Jacobini Costa, de 18 anos, foi o único rapaz torturado pelos PMs para confessar o envolvimento com drogas. Costa diz que o filho teria apanhado primeiro na subdelegacia e depois levado para um matagal, onde teria recebido choques elétricos. Um policial deu dois tiros perto da cabeça dele, reclama Costa. Tudo isso para ele confessar uma coisa que não fazia. Ele lembra que o filho foi submetido, na última quarta-feira, a exame de lesões corporais, no Instituto Médico Legal, mas que as marcas da agressão já teriam desaparecido.


