Luciana Pombo
De Curitiba
Oito pessoas morreram em menos de quinze horas, na Grande Curitiba, vítimas de homicídio (ver box). O caso mais grave foi registrado na Vila Modelo, na Cidade Industrial de Curitiba, onde três jovens foram assassinados por uma gangue adversária. O triplo homicídio ocorreu por volta das 3h15 da madrugada de ontem, dentro de uma casa que estava fechada para venda. Reginaldo Ramos, 23 anos, irmão de um conhecido bandido da Vila Verde (o ‘‘Betão’’) que aterrorizava a região no ano retrasado, Isaque de Oliveira, 22 anos, e Alexandro Borges Graciano, de 23 anos. Os três tinham passagem pela polícia e respondiam inquérito pelo assassinato de Odair Silva, no dia 29 de dezembro do ano passado.
De acordo com os moradores do bairro, quatro homens fortemente armados entraram dentro da casa, que fica na Rua ‘‘B’’ se passando por policiais civis. Em menos de cinco minutos, eles teriam matado dois deles com cerca de 20 tiros. Alexandro Graciano conseguiu correr para a rua, mas foi morto cerca de 200 metros da casa. ‘‘Foi tudo muito rápido’’, contou o comerciante Emanuel Estevão, 48 anos, que mora na casa ao lado.
A casa, onde os jovens foram assassinados, era de propriedade do filho de Estevão e estava à venda há quatro meses. ‘‘Não sei como eles entraram dentro da casa, mas acho que eles buscavam refúgio’’, concluiu. Os vizinhos apostam em briga entre gangues da própria Vila Verde. ‘‘Eles nunca passavam por aqui. Mas temos a certeza que eram todos bandidos’’, disse o pedreiro Franklin Paulo Grummt, 25 anos, que mora na casa da frente do local onde ocorreu o triplo homicídio.
A única pessoa da região que chegou a ver os assassinos e que não quis ser identificada afirmou que os homens não são policiais. ‘‘Eles tinham um destino certo. Atiraram para matar. Dou graças a Deus por não estar na rua naquela hora’’, salientou, lembrando que assistiu ao tiroteio do portão de casa. Os quatro assassinos estavam dentro de dois carros (um Opala e uma Brasília) e fugiram sem deixar pistas.
Mas a polícia já tem a identificação de todos eles. De acordo com o delegado titular da Homicídios, Fauzi Salmen, os nomes não serão divulgados para não atrapalhar as investigações. Dois deles estão sendo citados por apelidos, Pinguim e Carlinhos. ‘‘Trabalhamos com duas hipóteses: crime de vingança e por espaço por causa do tráfico de drogas’’, declarou ele. A partir de hoje, as primeiras testemunhas começarão a ser ouvidas.

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