Ameaçadas de morte, sete famílias do Jardim Leste-Oeste (Zona Oeste) abandonaram ontem o bairro. O incidente aconteceu um dia depois da prisão de Cleber dos Santos Gouvela, 19 anos, o ''Clebinho'', encontrado pela polícia em casa de colegas na favela Pantantal após uma denúncia anônima. Amigos do detido desconfiavam que as vítimas tinham feito a ligação à polícia.
Segundo o delegado Pedro Maomé Machado, as famílias, todas com grau de parentesco, foram coagidas pela manhã por um grupo de cinco pessoas que exigiram a saída do bairro. Viaturas da PM circularam pelo Jardim Leste-Oeste várias vezes para conter os ânimos.
''Eles começaram a tirar os móveis das pessoas fora da casa e disseram que se não saíssem seriam mortos'', afirma. Pelo menos um dos autores das ameaças, que é menor, já foi identificado. As vítimas, entretanto, ainda não formalizaram queixa e, portanto, ninguém foi detido.
Clebinho é um dos nomes fortes da gangue que também age no assentamento Pantanal e travou uma guerra com os moradores do assentamento Nossa Senhora da Paz. Ele estava foragido há meses e a polícia acredita que o rapaz tenha participação direta em vários homicídios da região. Dois deles, o do adolescente Everton Luiz Marcondes, 14 anos, morto em uma tocaia com um tiro nas costas em agosto, e do operário Damião dos Santos Ramos, 27 anos, ambos na favela Nossa Senhora da Paz chamaram atenção do poder público para a guerra entre as gangues.
Revoltados com a morte do adolescente, os moradores derrubaram parte do muro da Fiação de Seda Bratac. Foi na empresa que o operário Damião dos Santos Ramos acabou alvejado durante uma troca de tiros entre as gangues rivais semanas após a morte de Everton Marcondes.
A saída das famílias teve que ser negociada entre a Polícia Civil e familiares de Clebinho. O delegado acredita que após a mudança os moradores ameaçados formalizem queixa. Contudo, ele mesmo admite que no bairro impera a lei do silêncio. ''No bairro ninguém diz onde é a casa de Clebinho'', afirma.

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