Brasileiros se viram no exterior
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segunda-feira, 06 de julho de 1998
Guilherme Pupo 
Enquanto muitos executivos estrangeiros estão chegando a Curitiba para trabalhar nas montadoras de automóveis, um grupo de 23 brasileiros fez o caminho inverso e acaba de chegar da França, depois de um estágio de dois meses em uma unidade da Renault, na cidade de Douai - a 120 quilômetros de Paris.
Formado por 23 operadores do setor de montagem da fábrica Ayrton Senna (que está em fase final de construção em São José dos Pinhais), o grupo retornou nesse domingo a Curitiba.
Para todos eles, essa foi a primeira viagem à Europa e, para a maioria, a segunda ida ao Exterior - no início do ano, a equipe fez um estágio de duas semanas na fábrica da Renault em Córdoba, Argentina.
Apesar das saudades da família no Brasil e do desafio de trabalhar em um outro país, sem dominar a língua estrangeira, os operadores trouxeram na bagagem o aperfeiçoamento profissional e a experiência do contato com a cultura francesa.
Na primeira semana deu aquela dor no coração, de ficar em um lugar estranho sem conhecer ninguém, mas depois nos sentimos em casa. Acho que o brasileiro tem um carisma muito grande e isso facilita na hora de fazer amizade, contou o operador Nivaldo Humberto Pacheco, de 37 anos.
Como o grupo viajou antes do início da Copa, eles assistiram a todas as partidas do Brasil na França, mas pela televisão. Não havia tempo para ir até o estádio, mas vimos os jogos em um telão e comemoramos as vitórias junto com os franceses, que também torcem para o Brasil, comentou o montador Éber Vinícius Cordeiro, 26 anos.
Para ele, a viagem foi importante até para adquirir novos conhecimentos de geografia. Agora, até no mapa mundi sei me localizar melhor. Sobre as dificuldades da língua, ele disse que, antes da viagem os operadores fizeram um curso intensivo de francês, para aprender noções básicas de comunicação. Até consegui me virar, mas agora quero continuar estudando, para enriquecer a fluência, disse.
Já para Aramis do Vale, 30 anos, passar dois meses afastado da família foi a principal dificuldade enfrentada na viagem. Ele viajou no dia em que a sua filha Heloísa completou quatro meses de vida. Apesar de ter falado com a minha mulher pelo menos uma vez por semana, senti muita falta. Quando voltei, minha filha já tinha crescido bastante, disse.


