Brasileiros são maioria entre os presos estrangeiros no Japão
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quarta-feira, 28 de abril de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Uma pesquisa realizada pela Câmara de Comércio Brasil Japão, com sede em Tóquio, mostrou que os brasileiros lideram as listas de presos estrangeiros em algumas províncias do Japão. Segundo o consultor de comunicação internacional da Petrobrás e voluntário da Câmara, Newton Sonoki, em 2003, dos 444 presos estrangeiros da província de Guma Ken, 61 eram brasileiros. E a situação é a mesma há três anos.
Segundo o consultor, alguns dekasseguis (brasileiros com ascendência nipônica que vão trabalhar no Japão) não se ajustam àquele país. ''Para compreender a situação é preciso entender o que é ser um dekassegui. Eles são exilados econômicos, em sua maioria com curso superior, e que sonham em voltar para o Brasil, onde aceitariam um emprego que pagasse até R$ 800'', contou Sonoki.
O problema, de acordo com o voluntário, começa quando estes descendentes precisam, por algum motivo, voltar pela segunda ou terceira vez para o Oriente. ''Quando retornam ao Brasil, eles não encontram trabalho ou tentam montar algum negócio que não dá certo e acabam voltando para o Japão em busca de um futuro melhor. Nesta fase, com um pouco mais de dinheiro, eles levam a família toda'', explicou. Uma estatística apresentada pelo ex-secretário executivo do Ministério dos Tranportes Keiji Kanashiro aponta que de cada quatro empreendimentos iniciados por dekasseguis, três não vingam.
No Japão, muitas crianças e adolescentes não se adaptam às escolas e ficam pelas ruas enquanto os pais trabalham. Segundo a pesquisadora e colaboradora da Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD), Estela Okabayashi, o não conhecimento da língua japonesa é o primeiro empecilho para a adaptação. Somados a isso, os maus tratos que alguns nikkeys sofrem e a situação a que os pais dessas crianças se submetem, contribuem para que o interesse pelos estudos seja cada vez menor. ''Eles vêem os pais com curso superior trabalhando como peões e perdem o interesse'', relatou Sonoki.
Aos 16 anos, já aptos para trabalhar, os brasileiros engrossam a massa trabalhadora de fábricas de automóveis, eletrônicos e alimentos. ''Eles ganham o mesmo que os pais, cerca de US$ 3 mil por mês. Quantia baixa no Japão, mas suficiente para dar independência, sem maturidade'', contou o voluntário. De acordo com Sonoki, é neste período que eles se envolvem com jogos, álcool e drogas.
Com o intuito de amenizar esta situação, algumas empresas e entidades desenvolvem projetos que visam entreter estas crianças e adolescentes no Japão. Além disso, também dão apoio legal para os dekasseguis. Segundo a pesquisadora, algumas escolas japonesas estão contratando professores que falam o português para ensinar a língua aos brasileiros e facilitar a adaptação, mas os números de aulas são insuficientes.
Uma outra medida foi proposta por Soniko e Kanashiro em recente simpósio realizada em Londrina. A proposta é criar um grupo de apoio para os nikkeys (descendentes de japoneses) no Brasil que dê alternativas de bons investimentos. Neste sentido, segundo Estela, a ABD encomendou uma pesquisa sobre o perfil dos dekasseguis que servirá como ponto de partida para futuras ações com o objetivo de ajudar essas pessoas a administrar o dinheiro economizado no Japão. ''Serão realizados cursos em diversas áreas, inclusive administração, e ações para minimizar o choque cultural na volta desses nikkeys'', disse a pesquisadora.


