Uma pesquisa realizada pela Câmara de Comércio Brasil Japão, com sede em Tóquio, mostrou que os brasileiros lideram as listas de presos estrangeiros em algumas províncias do Japão. Segundo o consultor de comunicação internacional da Petrobrás e voluntário da Câmara, Newton Sonoki, em 2003, dos 444 presos estrangeiros da província de Guma Ken, 61 eram brasileiros. E a situação é a mesma há três anos.
Segundo o consultor, alguns dekasseguis (brasileiros com ascendência nipônica que vão trabalhar no Japão) não se ajustam àquele país. ''Para compreender a situação é preciso entender o que é ser um dekassegui. Eles são exilados econômicos, em sua maioria com curso superior, e que sonham em voltar para o Brasil, onde aceitariam um emprego que pagasse até R$ 800'', contou Sonoki.
O problema, de acordo com o voluntário, começa quando estes descendentes precisam, por algum motivo, voltar pela segunda ou terceira vez para o Oriente. ''Quando retornam ao Brasil, eles não encontram trabalho ou tentam montar algum negócio que não dá certo e acabam voltando para o Japão em busca de um futuro melhor. Nesta fase, com um pouco mais de dinheiro, eles levam a família toda'', explicou. Uma estatística apresentada pelo ex-secretário executivo do Ministério dos Tranportes Keiji Kanashiro aponta que de cada quatro empreendimentos iniciados por dekasseguis, três não vingam.
No Japão, muitas crianças e adolescentes não se adaptam às escolas e ficam pelas ruas enquanto os pais trabalham. Segundo a pesquisadora e colaboradora da Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD), Estela Okabayashi, o não conhecimento da língua japonesa é o primeiro empecilho para a adaptação. Somados a isso, os maus tratos que alguns nikkeys sofrem e a situação a que os pais dessas crianças se submetem, contribuem para que o interesse pelos estudos seja cada vez menor. ''Eles vêem os pais com curso superior trabalhando como peões e perdem o interesse'', relatou Sonoki.
Aos 16 anos, já aptos para trabalhar, os brasileiros engrossam a massa trabalhadora de fábricas de automóveis, eletrônicos e alimentos. ''Eles ganham o mesmo que os pais, cerca de US$ 3 mil por mês. Quantia baixa no Japão, mas suficiente para dar independência, sem maturidade'', contou o voluntário. De acordo com Sonoki, é neste período que eles se envolvem com jogos, álcool e drogas.
Com o intuito de amenizar esta situação, algumas empresas e entidades desenvolvem projetos que visam entreter estas crianças e adolescentes no Japão. Além disso, também dão apoio legal para os dekasseguis. Segundo a pesquisadora, algumas escolas japonesas estão contratando professores que falam o português para ensinar a língua aos brasileiros e facilitar a adaptação, mas os números de aulas são insuficientes.
Uma outra medida foi proposta por Soniko e Kanashiro em recente simpósio realizada em Londrina. A proposta é criar um grupo de apoio para os nikkeys (descendentes de japoneses) no Brasil que dê alternativas de bons investimentos. Neste sentido, segundo Estela, a ABD encomendou uma pesquisa sobre o perfil dos dekasseguis que servirá como ponto de partida para futuras ações com o objetivo de ajudar essas pessoas a administrar o dinheiro economizado no Japão. ''Serão realizados cursos em diversas áreas, inclusive administração, e ações para minimizar o choque cultural na volta desses nikkeys'', disse a pesquisadora.

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