Corumbá - O governo de Evo Morales está pressionando os manifestantes que apóiam a instalação de siderúrgica MMX, do grupo brasileiro EBX, em Puerto Suarez, Bolívia, na divisa com Corumbá, no Mato Grosso do Sul. As ameaças fizeram aumentar a movimentação popular. Grupos favoráveis à siderúrgica passaram a noite de sábado e permanecem na porta da empresa para evitar que soldados ocupassem o canteiro de obras da empresa.
  A decisão do governo boliviano é encampar ou expulsar a MMX do país, alegando desrespeito à Constituição. A reação governamental começou com a ameaça de prisão dos líderes dos protestos e ocupação do canteiro de obras da empresa pelo Exército - em Puerto Suárez há uma unidade do Exército, de prontidão desde sexta-feira.
  Seguiu-se a decisão do Ministério Público da Bolívia de convocar diretores da EBX para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de seqüestro de ministros e violação de artigos da Constituição boliviana. A notificação do Ministério Público boliviano inclui os prefeitos das cidades de Puerto Suarez, Puerto Quijarro, El Carmen Rivero Torres e German Busch.
  ‘‘Não vamos recuar porque não se trata de um ato político e sim de uma mobilização popular’’, afirmou o presidente do Comitê Cívico de Puerto Suarez, Edil Gerick, sobre o apoio à MMX. Essa disposição é mesma de manifestantes como a dona de casa Andréa Sezaris. ‘‘Aqui eles não irão entrar. Se o presidente Evo Morales quer o enfrentamento, ele terá, porque estamos dispostos a tudo para defender o emprego de nossos filhos.’’
  O comércio na região de Puerto Suarez vai mal. ‘‘Morales nos chamou de delinqüentes em rede nacional, porque estamos fazendo esses bloqueios. Mas só quem vive aqui sabe a situação de miséria. Não queremos esmola de ninguém, apenas o direito de trabalhar para pagar nossas contas e ter uma vida digna’’, afirmou a comerciante Mônica Welsar.
  Ato público - Para hoje está previsto um ato público de brasileiros contra a decisão do governo boliviano. O evento é um dos preparativos para uma passeata em Corumbá, na quinta-feira, onde a EBX apresentará os estudos de impacto ambiental sobre a instalação da empresa no pólo siderúrgico de Corumbá. As manifestações do lado boliviano também continuam. Os moradores bloqueiam a fronteira com Corumbá, a ferrovia, aeroporto e a estrada que dá acesso à Santa Cruz de la Sierra.
  Evo Morales acusa a empresa brasileira de ter se instalada ilegalmente no país, violando leis ambientais e a Constituição, que impede a instalação de empreendimentos estrangeiros num perímetro inferior a 50 quilômetros de distância da faixa de fronteira.
  O Grupo EBX negou que estivesse operando irregularmente e decidiu deixar a Bolívia. Os investimentos totais chegavam a US$ 150 milhões para produção anual de 800 mil toneladas de ferro-gusa, produto intermediário para fabricação do aço.

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