Cada nova pesquisa sobre o assunto que é divulgada mostra que a imagem do Brasil está melhorando em todo o mundo. Entretanto, existe um grupo em que os brasileiros são vistos internacionalmente quase como o mal absoluto: o dos jogadores de games na internet.
Na rede, circula uma história em quadrinhos ridicularizando os brasileiros que jogam online. Nela, um boneco falando inglês aparece jogando um game, e a cidade é invadida por ''BRs''. O boneco fala com um deles, que, em um inglês totalmente errado, pede dinheiro e ameaça ''denunciar'' após ouvir a negativa. Em duas semanas, o jogo é tomado pelos ''BRs'' e a história é concluída com a cidade do game em chamas, e a mensagem: ''O servidor teve que ser fechado um mês depois''. A HQ tem versões em desenho animado, que podem ser acessadas no YouTube.
A internet está cheia de blogs, comunidades e listas de discussão em que a má fama dos brasileiros em jogos online é discutida. Existe até uma petição no Facebook para que brasileiros tenham ''o seu próprio servidor'' do jogo ''League Of Legends''.
''Todo mundo que joga 'League Of Legends' e outros games online sabe como pode ser irritante jogar com brasileiros'', justifica o criador da petição. O símbolo da comunidade é uma bandeira do Brasil com um sinal de ''proibido''. Na parte de baixo, aparece o desenho de um boneco, soltando a risada que seria a marca registrada dos gamers brasileiros: ''Huehuehue''.
Muitos dos debatedores na internet partem para a agressão, usam palavrões e expressam preconceitos. Em resposta, não faltam alegações de brasileiros de que os estrangeiros têm inveja dos gamers do Brasil porque estes jogariam melhor. Alguns até apelam para acusações de ''imperialismo'' contra jogadores europeus e norte-americanos.
O consultor em tecnologia da informação Ivan Carlos de Almeida, de São Paulo, lembra que hoje os brasileiros estão em todos os lugares na internet, não apenas nos jogos online. Prova disso é a presença maciça nas redes sociais mais utilizadas do mundo, o Facebook e o Twitter. Entretanto, Almeida descreve que a má fama dos brasileiros em jogos online está mais relacionada a fatores comportamentais do que a essa ''ocupação'' de espaços na rede.
''Existem comunidades de jogos que pedem para que os usuários, independente da nacionalidade, utilizem o idioma do país onde está o servidor. Muitos jogadores brasileiros escrevem em português, e respondem com xingamentos quando são questionados. Outros maus comportamentos são comuns entre os brasileiros: tentar roubar contas, 'cheats', que é trapacear, usar algum programa para automatizar o jogo e obter alguma facilidade, por exemplo. É claro que esses comportamentos não são exclusividade dos brasileiros. A Rússia também é mal vista por tentativas de roubar contas'', relata o consultor, que é mantenedor do site Gamepad, especializado em informações sobre games voltadas para o mercado.
''Tem um pessoal que joga online no Brasil que quer ganhar de qualquer jeito, esbraveja, ofende outros jogadores'', descreve Guilherme Kuss, funcionário de uma lan house no Centro de Curitiba que sedia eventos e encontros de fãs de jogos na internet. ''Há jogadores que têm seu código de honra, não trapaceiam. Mas muitos brasileiros já têm essa cultura de trapacear, passam adiante dicas para isso. Até porque no Brasil não temos leis rígidas para a internet.''
Kuss aponta que esse comportamento agressivo é mais comum nos chamados games MMO (sigla em inglês para massive multiplayer online) gratuitos, como o alemão ''Tibia''. ''Esses jogos são um ambiente meio sem-lei. Nos jogos pagos, também acontece (trapaça), mas menos, porque se o gamer trapacear, perde a conta'', explica.

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