Brasileiros dividiam espaço com estrangeiros
Londrina - Uma espanhola despertou os olhares do aposentado Raphael Safra. O casal se conheceu em um sítio de Tamarana e passou a morar na Vila Brasil após oficializar a união. "Ela nasceu na Espanha e veio de São Paulo para Londrina com seis anos. Quando ela precisava ser brava, era mesmo. Graças a Deus foi minha única namorada. Ela ficou comigo durante 65 anos. Era uma mulher que onde eu colocava o pé, ela ia também. Sem medo. Companheira sempre", disse Raphael ao descrever Nieves Pascoal Safra. As lembranças são guardadas com carinho.
A vizinhança no bairro era repleta de estrangeiros. Espanhóis, italianos, alemães e russos dividiam o espaço com os brasileiros vindos, principalmente, do interior de São Paulo. Aos poucos, eles aprenderam a se comunicar e juntos enfrentaram a mesma estrutura precária da cidade que estava apenas começando a se desenvolver. "Os vizinhos de outros países que eu conheci conversavam pouco. Eles eram meio brutos para conversar. Alguns tinham voltado da guerra e não escutavam muito bem. Eles falavam alto e as pessoas achavam que era briga, mas era só uma conversa", afirmou o morador José Rodrigues Andrade.
Nomes de países predominam nas ruas na Vila Brasil. "Naquela época, quando a gente chegou aqui, todo mundo achava os bairros rapidinho. Rua com nome de país ficava na Vila Brasil, com nome de índio era na Vila Casoni, com nome de rio era na Vila Nova. Aí veio o Jardim Leonor, por exemplo, com nome de árvore e de madeira e o Jardim Bandeirantes com nome de serra. Depois surgiu muito bairro e aí bagunçou tudo", explicou seu José. (V.C.)





