Os mistérios das milenares culturas japonesa e chinesa estão sendo desvendados por crianças londrinenses. Até aí, nenhuma novidade, não fosse o fato destas crianças não terem ligação nenhuma com os povos orientais, nem tampouco o professor, um apaixonado pelas letras ''desenhadas'' e pela forma de viver adotada do outro lado do mundo. As aulas acontecem desde 2003 no Colégio Estadual Professora Célia Moraes de Oliveira, no Parque Waldemar Hauer (Zona Leste), no contraturno escolar.
O ex-aluno do colégio e hoje acadêmico de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Leandro Nunes de Andrade, 24 anos, é quem ensina. Ele conta que o interesse em aprender japonês foi despertado pelos desenhos animados que assistia na infância e adolescência. ''Ficava olhando os créditos que apareciam no final e tinha grande curiosidade de entender o que estava escrito. Até tentei aprender sozinho, mas claro que não consegui'', relembra.
A oportunidade de fazer um curso foi descoberta pela mãe. ''Ela viu um cartaz do Celen (Centro de Educação de Línguas Estrangeiras) no Colégio Vicente Rijo e me matriculou. Na época eu tinha uns 16 anos, e me encantei já na primeira aula'', conta o professor. Ele lembra que a exibição pela TV do filme Gaijin, logo na semana seguinte, só reforçou o seu desejo de aprender mais sobre a imigração japonesa.
A chegada dos orientais ao Paraná acabou virando tema da tese que defendeu no final do ano passado, na Universidade de Meio, na província japonesa de Okinawa. Ele passou um ano no país, com bolsa de estudo conseguida graças a um convênio com a UEL, depois de obter aqui dois diplomas de proficiência da língua japonesa. ''Voltei mais apaixonado ainda pela cultura'', revela Leandro, que só tem elogios à filosofia de vida dos japoneses. ''São pessoas aducadíssimas, extremamente responsáveis e organizadas, que conseguem manter valores milenares e ainda manter uma grande humildade.''
Todas estas impressões ele procura passar aos alunos, além de ensinar letras e caracteres. ''Seria muito bom se mais brasileiros pudessem conhecer a cultura japonesa e se espelhar nela. Tem sido muito bom saber como eles vivem e poder entender o significado de todas estas letras'', diz a aluna Suelen Cristina Ferreira, 14 anos, que integra um dos dois grupos 13 crianças, no total que duas vezes por semana voltam à escola para aprender a língua.
No grupo de Suelen estão outros quatro alunos, da 6 , 7 e 8 séries, que, assim como o professor, não pretendem abandonar tão cedo o aprendizado da cultura. ''Não dá para parar. É muito legal ouvir as histórias de cada letra'', reforça Vinícius Pimenta Silva, 11 anos. Já Luiz Fernando Pereira, 13 anos, segue firme no seu propósito de aprender a ler os mangás (revistas em quadrinhos em japonês) que compra nos sebos. ''É difícil por causa dos ideogramas (kanji), que são muitos, mas já estou começando a entender'', comemora.

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