Brasileiros buscam vida nova no Velho Mundo
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quarta-feira, 03 de maio de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
Uma mistura de decepção, saudade antecipada e esperança no Aeroporto Silvio Name Jr, em Maringá, ontem, na hora do almoço, quando um grupo de 15 pessoas decidiu apostar num futuro melhor fora do País. O grupo embarcou rumo a Vila de Rei, pequena cidade de 5 mil habitantes na região central de Portugal que tem quase 90% dos moradores na terceira idade. Em outubro do ano passado, autoridades do município visitaram Maringá - que tem 300 mil habitantes - e fecharam um convênio para a emigração legalizada de famílias interessadas em trabalhar lá.
Em menos de dois meses, 760 interessados procuraram o Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) em Maringá - dos quais 250 foram selecionados. Ontem, o primeiro grupo embarcou.
Chega uma hora que a gente tem que fazer uma opção: aqui no Brasil a decepção é grande porque a gente trabalha cinco meses e meio só para pagar impostos. Estou indo atrás de uma vida melhor, contou o técnico em informática, Marcelo Duarte, de 30 anos, que viajou acompanhado da esposa e dois filhos. A expectativa da família é aumentar a renda mensal de R$ 2 mil para aproximadamente R$ 5 mil. Duarte ilustra o perfil dos emigrantes selecionados: possui escolaridade acima da média nacional, emprego fixo e salário de seis salários mínimos - o que mostra que não são apenas as classes D e E que estão desanimadas com o mercado de trabalho nacional. Eu devo ter dois empregos lá, e minha esposa vai exercer a própria profissão, psicologia, explicou. Entre o saldo negativo, estão a distância e saudade dos familiares e amigos que ficam na cidade. Eu sempre morei aqui e sei que vai ser difícil. Mas estou pensando em meus filhos e no futuro que poderei dar para eles.
Com uma movimentada carreira como publicitário, jornalista, técnico em defesa agropecuária, e outras profissões, Pedro Luiz Ramos de Oliveira, de 50 anos, é o mais velho do grupo. Questionado sobre a expectativa de aumento dos rendimentos, disse que o aspecto monetário não é o mais importante. Não é uma questão de valor. As expectativas são diferentes aqui e lá. Estou indo por uma nova perspectiva de vida, escola e universidade para os filhos, novos projetos, explicou. Estamos em busca de um país mais moderno.
De acordo com Oliveira, no Brasil faltam políticas de crescimento para a classe média. Hoje em dia, as classes mais desfavorecidas estão sendo amparadas, o que é bom. Mas nós da classe média ficamos órfãos, diz.
A chegada do horário do embarque age como um despertar da saudade. Na hora da partida, as lágrimas superam as palavras e o reencontro se torna um sonho distante com prazo de vários anos para ser concretizado.
Em meio às despedidas, a presidente do Provopar, Luiza Pupin, explica que os próximos embarques devem ocorrer em dois a três meses e que as inscrições já estão encerradas. Como tudo está sendo feito de forma legal, com visto de permanência e trabalho, há uma certa burocracia. O mais importante é que todos viajam com segurança e sabendo o trabalho que terão para a frente. Muitos deles, inclusive, vão continuar em suas próprias áreas, disse.


