Brasileiro está entre os mais estressados
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quarta-feira, 04 de agosto de 2010
Silvana Leão<BR>Reportagem Local 
Se você já sentiu algum tipo de dor muscular ao final de um dia de trabalho, provavelmente é um dos milhares de brasileiros que sofrem as consequências do estresse. A doença, diretamente relacionada ao excesso de atividades profissionais, atinge uma parcela cada vez maior da população e coloca o Brasil em pé de igualdade com países desenvolvidos, como a Inglaterra.
Estudo realizado pela International Stress Management Association (Isma), da qual o Brasil faz parte, mostra que 70% dos trabalhadores de empresas nacionais convivem com as sequelas do estresse, sendo que 30% deles são vítimas do nível mais grave da doença, chamado de Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional. No Japão, país mais atingido pelo problema, 80% da população apresentam alguma complicação de saúde causada pelo trabalho extenuante. Em segundo lugar vêm os Estados Unidos (72%).
Entre as profissões mais suscetíveis ao esgotamento estão aquelas ligadas às áreas de segurança (pública e privada), saúde, educação (professores), telemarketing, bancos e transporte. Além das longas jornadas, são profissões que exigem alto grau de responsabilidade.
É o caso dos médicos. ''Cada área tem um grau próprio de pressão. Na neurocirurgia, durante os cinco anos de especialização, o médico é exposto gradualmente a uma escala de estresse, para que em situações extremas tenha total controle sobre a situação'', explica o neurocirurgião londrinense Marcos Antonio Dias. Ele afirma que, somado à experiência e à atualização constante, capazes de imprimir maior segurança ao profissional, conta muito ter um hobby, uma espécie de válvula de escape para as pressões do dia a dia.
''Praticar um esporte, ou algo ligado às artes, é fundamental para que o profissional renove as energias. É o processo que chamamos de catarse'', diz o cirurgião, que pratica squash duas vezes por semana e faz caminhadas frequentes.
O motorista Carlos Alberto Costelini, que trabalhou vários anos conduzindo caminhão e ônibus, só descobriu a necessidade do lazer depois de uma crise. A rotina puxada das estradas - era comum passar de 15 a 18 horas ao volante - o fez conhecer o problema que, até então, imaginava ser ''coisa de rico''. A recomendação de fazer uma viagem com a família veio de um médico. ''Equipei um ônibus e ficamos vários dias viajando. Percebi como isso é importante para renovarmos as energias. A gente volta com outro pique.''
Atualmente Costelini trabalha com transporte de alunos e tem uma rotina mais tranquila, mas nem por isso está imune. ''O problema são as falhas na sinalização e a conduta de outros motoristas profissionais, que acham que podem tudo, inclusive parar em fila dupla. O jeito é tentar manter a paciência. Procuro ignorar as provocações, até porque tenho que dar exemplo para as crianças. Às vezes é melhor fingir que nada aconteceu.''
Para a atendente de radiotáxi Sandra Aparecida da Silva, o segredo está em investir na convivência em família, nos momentos de folga, e se desligar dos problemas do trabalho. ''Temos que administrar várias situações estressantes, como a falta de paciência dos motoristas e o aumento das chamadas e lentidão do trânsito nos dias de chuva. Tem hora que a gente tem que assobiar e chupar cana'', compara Sandra. Segundo ela, a rotina ficou ainda mais desgastante com o aumento da criminalidade. ''Cabe a nós fazer a triagem. Principalmente à noite, temos que ficar atentas para não colocar em risco a vida do motorista.''


