Brasileiras planejam contracepção a longo prazo
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
As brasileiras estão planejando mais a maternidade do que as mulheres de países desenvolvidos. É o que comprovou um estudo recente realizado por iniciativa do laboratório farmacêutico MSD. Embora ainda existam muitos casos de gravidez não planejada - onde estão incluídas as gestações na adolescência - a pesquisa ''I Plan On: mitos e verdade sobre planejamento familiar'' revelou que é cada dia maior o número de mulheres no País que priorizam a carreira profissional antes de ter filhos.
Um exemplo deste comportamento das brasileiras é o da psicóloga Alessandra Rocha Santos Silva e do servidor público federal Alexandre Rodrigues da Silva. Quando se casaram, eles planejaram que o primeiro filho viria depois de três anos de união. ''Queríamos ter um tempo para nós, para curtir o casamento. Também queríamos ter mais segurança financeira e como eu também já trabalhava, era mais um ponto a se administrar'', conta ela.
No entanto, com a aprovação de Alexandre em um concurso, ele teve que ir morar longe de Londrina e João Pedro, hoje com 5 anos, nasceu um pouco depois do tempo planejado inicialmente. ''Já tínhamos estruturado muitas coisas, construímos nossa casa e o Alexandre veio para mais perto. Mas a maternidade muda a questão profissional. Tem muitas mulheres que trabalham porque existe a necessidade de ajudar na provisão da casa, mas muitas trabalham também por prazer e eu trabalhava bastante nessa época'', afirma.
O caçula, Eduardo, de 2 anos, nasceu quando o irmão estava com 3 anos, também dentro do planejamento dos pais. ''Queríamos que eles tivessem idades próximas, não tão perto porque seria complicado cuidar de dois bebês e não tão distante. Nesta segunda gestação eu já tinha uma carga horária menor.''
A psicóloga explica que a mulher, mesmo quando busca priorizar a família, tem dificuldades de colocar isso em prática. Se a gravidez não é planejada ou acontece muito cedo, isso pode ser mais difícil. ''Hoje atendo no meu consultório em horários alternados, para poder ficar com as crianças. Acredito que para termos uma sociedade sadia precisamos focar nos filhos'', destaca.
Métodos contraceptivos
A pesquisa sobre planejamento familiar entrevistou 4.199 mulheres, entre 18 e 35 anos, de nove países - Brasil, Austrália, França, Alemanha, México, Rússia, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. Enquanto em alguns, como na Espanha, as mulheres programam a contracepção por semanas ou meses, 52% das brasileiras ouvidas se planejam por anos, priorizando a realização profissional.
O mesmo estudo revelou também que 74% das brasileiras mudariam algo em relação ao método contraceptivo. A maioria - 59% - é usuária da pílula anticoncepcional, seguida do preservativo - 37%. Mesmo assim, a pesquisa apontou a existência de muitos equívocos e dúvidas.
O ginecologista e obstetra Rogério Bonassi Machado explica que a pesquisa mostra o que ele já vem percebendo no consultório. ''A natalidade vem caindo e as mulheres estão adiando mais a gravidez, geralmente por conta da carreira. A maioria opta pela pílula, mas algumas buscam outros métodos, que podem ser a longo prazo ou não. Uma mulher que planeje engravidar em dois anos não deve escolher um implante (como o DIU) que dura cinco anos'', afirma.
De acordo com o médico, mesmo buscando a contracepção, as mulheres ainda têm muitas dúvidas e acreditam em mitos. ''Elas também têm receio de usar algum método e depois ter problemas para engravidar. Neste sentido, o anel vaginal e o adesivo são os métodos cuja procura tem crescido. Por outro lado, as brasileiras ainda têm resistência ao uso do DIU, tendo passado a aceitar mais a versão com hormônios.''
Machado explica que na hora de escolher o método deve-se levar em consideração também o estilo de vida da mulher. ''A pílula não é muito indicada para adolescentes, que em geral se esquecem de que devem reiniciar uma nova cartela após a pausa. Também por isso as mais modernas têm intervalo menor.''



