Brasileiras não aceitam proposta discriminatória
Além do acordo global, cuja ação tramita em Houston, no Texas, Estados Unidos, há outro processo especificamente contra a multinacional Dow Corning, a maior fabricante de silicone do mundo - próteses e outros subprodutos -, que corre na vara de falência de Michigan. A Dow Corning também fazia parte do grupo que propôs o acórdão, mas desistiu depois que percebeu que a iniciativa não estava cessando as ações individuais.
Ainda este ano, depois de um longo processo de falência, a Dow Corning propôs pagar às mulheres brasileiras apenas 35% do valor oferecido às norte-americanas. A diferença, alegou a multinacional, levava em conta o custo de vida de cada país. Segundo a divisão de categorias feita pela empresa, o Brasil estaria no mesmo grupo do Quênia, Bolívia e Índia; para outros países, como Austrália, Canadá e Itália, foi oferecido 60%.
O juiz da vara de falência de Michigan determinou que fosse feita uma votação entre todas as mulheres envolvidas no processo para saber se elas aceitavam ou não a proposta da multinacional. A advogada Fabiane Schnaid informou que o grupo de londrinenses que ela representa foi unânime em rechaçar a proposta da Dow Corning. Também mantenho contato com outros advogados do Brasil e dos Estados Unidos e a posição de rejeitar o acordo é unânime, disse. O prazo final para enviar aos Estados Unidos as cédulas de votação é 14 de maio.
A advogada entende que destinar somente 35% dos valores recebidos pelas norte-americanas é um sinal claro de discriminação. Não repara nem o prejuízo material, muito menos o moral, disse. Para ela, o fato das empresas - inclusive a Dow Corning - terem procurado as mulheres para propor um acordo aponta para uma admissão de culpa. No mínimo, são responsáveis por terem colocado no mercado um material que não foi suficientemente testado. (L.H.)





