Brasileiras dividem celas com filhos
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 1997
Antônio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaPequeno prisioneiroRosemari, atrás das grades, com o filho de um ano; ela afirma que foi presa por enganoQuatro crianças, entre elas uma brasileira de apenas um ano de idade, têm a mesma rotina de suas mães, presas na Penitenciária Feminina de Ciudad del Este. Isso foi constatado, ontem, durante a visita do Movimento de Direitos Humanos do Paraná (MDH) a cadeia.
A brasileira Rosemari Alves da Silva, 23 anos, acusada de agressão física, disse que foi presa por engano. Ela está na cadeia com o pequeno Eduardo há quase três meses numa cela com outras quatro pessoas.
Outro caso grave é da também brasileira, Ivonete Idalina dos Santos, 17 anos, acusada de roubo. Ela está grávida de quatro meses e sabe que vai ficar na cadeia até o final da gravidez. O maior problema, segundo as detentas, é a falta de creche para deixar os filhos.
Das 38 detentas, sete são brasileiras. Elas denunciam a negligência do Consulado e a demora da Justiça Paraguaia em analisar os processos. Algumas presas estão na cadeia há mais de dois anos sem sentença. A diretora da Penitenciária, Glória Riquelme, confirma o descaso do Consulado e diz que o máximo que fazemos é informar ao órgão brasileiro no Paraguai, mas pouca coisa é feita.
No Paraguai, a responsabilidade criminal começa aos 14 anos. Brasileiras entre 16 e 22 anos são maioria dentro da Penitenciária. Todas denunciam maus-tratos e tortura em interrogatórios nas Comissarias (delegacias de polícia). Isso é uma prática comum, infelizmente, lamenta o promotor Lúlio Gamarra.
Um dos casos de tortura é de Beatriz Venialgo, 17 anos, presa por cumplicidade em assalto a um taxista. Ela diz que pegou carona com paraguaios e foi presa em uma blitz. Me bateram para confessar o que não cometi. Recebi socos, palmadas e coronhadas de revóver, disse.
Outra denúncia envolve a também brasileira Jandira Pinheiro de Oliveira, 17 anos. Ela estaria presa em Ciudad del Este. Porém, o seu nome não consta dos registros da Penitenciária. Segundo os dirigentes da entidade, ela é acusada de matar o filho de quatro anos. No entanto, alega que foi o próprio marido quem espancou e matou o menino. As denúncias serão enviadas hoje ao Consulado Brasileiro em Ciudad del Este, Embaixada Brasileira em Assunção e Ministério das Relações Exteriores.


