Há três anos, o governo brasileiro vem se recusando a ajudar a brasileira Rita M.R., que foi violentada por policiais numa delegacia da Espanha. Mostrando desinteresse e alegando falta de recursos (para pagar uma passagem de US$ 15,00 de Barcelona a Bilbao), o cônsul brasileiro em Barcelona, Francisco Alvim, não ajudou a família de Rita, que inclusive se dispôs a bancar as despesas dele, buscando assim apoio oficial do Itamaraty. ‘‘Acho um absurdo existir uma representação brasileira no exterior que se recusa ajudar pessoas de seu próprio País’’, critica Ivonete M., irmã de Rita, que vive em Curitiba. A assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores e o cônsul Francisco Alvim foram procurados, mas ninguém se pronunciou sobre o caso.
Ivonete conta que o incidente com Rita aconteceu em 29 de agosto de 1995, mas teve sua sentença expedida no mês passado, contra o pedido da brasileira. Rita foi presa a noite em um pub, acusada de prostituição e de agenciamento de mulheres. ‘‘Sem respeitar seus direitos, os policiais não verificaram que ela tinha domicílio e emprego na cidade, onde trabalhava no Hotel Igeretxe havia um mês’’, diz Ivonete. Mantida incomunicável, sem acesso a embaixada brasileira, ela ficou por 38 horas na cadeia, onde foi violentada por um policial.
‘‘O patrão de Rita no hotel foi quem se dispôs a bancar uma ação contra os policiais’’, conta. Durante o processo, foi comprovado que houve a violação na delegacia, mesmo estando o local sob proteção de policiais. ‘‘Na sentença do juiz (Juan Ayala Garcia), existiu o crime, com horário, local e a violência física, mas os culpados não foram presos, porque se valeram de testemunhos falsos e corporativos’’, diz Ivonete.
Ivonte conta que o caso teve grande repercusão na Espanha, com matérias nos jornais locais em apoio a brasileira. ‘‘Todas as matérias repudiavam a sentença do juiz’’, diz. Ela diz que quando começou a aparecer os artigos na mídia, o cônsul Francisco Alvim pediu que ela só se apresentasse aos jornais, em companhia dele. O advogado de Rita recorreu na corte suprema espanhola.
Depois do processo de Rita, outra estrangeiras apresntaram queixas contra a polícia espanhola. Agora, Rita volta a juízo em setembro, quando processa a polícia espanhola por detenção irregular. ‘‘Até o momento, ela não recebeu ajuda da embaixada e do consulados brasileiros’’, queixa-se. Para Ivonete, se o caso acontecesse com um aespanhola no Brasil, com certeza o governo espanhol apoiaria sua cidadã.Mauro FrassonIvonete, a irmã: embaixada brasileira estaria recusando-se a ajudarIsrael Reinstein

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