Brasileira entra na Justiça japonesa por discriminação
A jornalista Anna Bortz, brasileira que vive no Japão, está processando os proprietários de uma joalheria da cidade de Hamamatsu, na província japonesa de Shizuoka, por discriminação racial, difamação e ofensa à dignidade. Segundo uma matéria divulgada pelo jornal International Press (do Japão), Anna foi expulsa da loja Seibi-do por Takahisa Suzuki e sua mãe Hisako Suzuki, no momento em que souberam que ela era brasileira. O fato aconteceu no dia 16 de junho e a jornalista entrou com o processo no último dia 5.
O processo da brasileira causou repercussão no Japão por ser o primeiro caso de discriminação racial entre pessoas físicas levado a um tribunal daquele país. Anna, que trabalha no canal de televisão IPCTV (de línguas portuguesa e espanhola), declarou, em entrevista à imprensa local, que pretende pelo processo informar e educar a população de Hamamatsu. A cidade, a 257 km de Tóquio, tem quase 600 mil habitantes - 16.126 estrangeiros, dos quais 10.030 brasileiros.
O objetivo é estabelecer uma relação saudável entre japoneses e não-japoneses, disse o advogado de Anna, Hideyo Ogawa. Ele considera a ação importante, porque estaria faltando alguma coisa na cidade que foi eleita em 97 como modelo no respeito aos direitos humanos. O advogado pediu indenização de 1,5 milhão de ienes (cerca de R$ 12,8 mil) pela ofensa. Anna disse que nenhuma soma de dinheiro compensaria a injustiça. Ela considera que uma medida desse gênero serve para advertir os brasileiros e japoneses sobre os direitos de cada um. Vivem no Japão 233.254 dekasseguis, segundo o Ministério da Justiça do Japão.
Anna conta que o proprietário da joalheria, Takahisa Suzuki, atendeu-a bem, antes de conhecer sua nacionalidade. Após saber que era brasileira, pediu que se retirasse e apontou para um cartaz em japonês, dizendo ser proibida a entrada de estrangeiros. Como a brasileira não quis sair da loja, Suzuki ameaçou chamar a polícia, no que ela concordou.
Enquanto esperavam a polícia, Anna ligou para a imprensa local. Quando os policiais chegaram, Anna pediu que Suzuki se desculpasse por escrito, além de solicitar a retirada do cartaz que proibia a entrada de estrangeiros. Suzuki saiu da loja e as desculpas foram escritas pela mãe dele, Hisako, que manteve na loja o cartaz. Por causa disso, Anna entrou com o processo.International PressQueixaAnna Bortz: primeiro processo por discriminação no JapãoIsrael Reinstein





