Paulo Pegoraro
De Cascavel
Três mil homens em terra, morteiros, 80 carros de combate e blindados e 350 caminhões e jeeps. No ar, esquadrilha de 16 helicópteros e tropas aerotransportadas. Ataque de infantaria e bombardeio pesado e de longa duração, sob chuva fina. Devastação total do território inimigo e nenhuma baixa nas tropas brasileiras. Foi ontem, na região próxima ao Lago de Itaipu e fronteira com o Paraguai, no município de Diamante do Oeste (81 quilômetros a oeste de Cascavel).
O inimigo contra quem o Brasil guerreava era virtual, mas as ações eram reais. Elas marcaram o último grande treinamento do Exército Brasileiro nesta década, denominado Exercício Cascavel, alusão à cidade-sede da 15ª Brigada de Infantaria Motorizada, e reuniu tropas, veículos, aeronaves e equipamentos do Paraná e Santa Catarina – que formam a 5ª Divisão de Exército (DE/RM) e 5ª Região Militar, sediada em Curitiba –, e ainda do Rio Grande do Sul.
O general-de-divisão Jaime Juraszek, comandante da DE/RM, teve ao seu lado militares paraguaios e argentinos, como observadores convidados, além de autoridades políticas da região e moradores de localidades próximas, cuja presença foi consentida pela política de cordialidade desenvolvida pelo Exército em relação às populações civis.
O ataque definitivo contra o inimigo virtual completou treinamentos iniciados no final da semana passada. O território escolhido tem geografia muito acidentada – montes, depressões e cursos d’água –, ideal para o adestramento de tropas, segundo os militares. Em pontos distintos estavam países virtuais e o Brasil em disputa com um deles. A guerra começou a ser ganha com um ataque de fuzileiros aerotransportados (nos helicópteros Esquilo e Pantera).
Depois, vieram os carros de combate (Cascavel e Urutu), blindados de transporte de pessoal, tiros de morteiro e canhão, inclusive os traçantes, de belo efeito visual, pois sua trajetória é luminosa com a cor do fogo e explodiam numa encosta. Muitos disparos foram feitos a 15 quilômetros do alvo, com obuseiro ‘‘Ligth Gum’’, de última geração (computadorizado), adquirido recentemente da Inglaterra. Partiu do ‘‘Light Gum’’ o último tiro, e a guerra acabou.
Michel Piovesan, 11 anos, aluno de 5ª série em Diamante do Oeste, estava extasiado. ‘‘Superlegal, parecia guerra de verdade. Acho que pode ter guerra mesmo. Ouvi falar que poderia ser contra o Paraguai, porque eles querem um pedaço de terra aqui. Claro, o Brasil ganharia, porque tem mais potência’’. Perto de Michel estava o coronel Raul Fernandes, do Exército do Paraguai. ‘‘Temos grande amizade com o Brasil e suas forças armadas, e inclusive muitos instrutores militares orientando nosso pessoal’’.Operação realizada pelo Exército mobilizou ontem 3 mil homens, veículos e aeronaves na região de Diamante do Oeste
Fotos Edson MazzettoATRAÇÃOSimulação de guerra na fronteira foi vista por convidados do Exército e por moradores da regiãoMorteiros, canhões e equipamentos de última geração foram utilizados na operação de ontem

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