Os anos eleitorais, às vezes, remetem ao passado. Na Roma Antiga os imperadores davam à população pobre e faminta os espetáculos promovidos pela chamada política do ''pão e circo'', que consistia em fornecer pão, para saciar a fome, e shows de combates entre gladiadores, para saciar a mente. O objetivo dessa prática era desviar a atenção do povo das questões políticas e sociais. Quase todos os dias ocorriam lutas entre gladiadores nos estádios (o mais famoso foi o Coliseu de Roma), onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, o que diminuía as chances de revolta.
No Brasil de hoje, as batalhas entre gladiadores e as corridas de bigas deram lugar aos showmícios, ao futebol, ao Carnaval, entre outros espetáculos. O pão foi substituído pelo Fome Zero, e programas como o Bolsa Família, Bolsa Escola.
A estudante de fisoterapia, Gabriela Ortolan, acha que esse tipo de política acontece o tempo todo no Brasil. ''O Fome Zero é o maior exemplo dessa prática. O Lula usa esses programas paternalistas, mas sabemos que isso dificilmente funciona. São ações que não resolvem a causa dos problemas, mas mesmo assim satisfazem o povo'', considera.
A opinião de Gabriela é compartilhada por sua colega, Carina Perez. Para ela a política do ''pão e circo'' está presente no Brasil só que não tem o mesmo nome. ''Hoje as pessoas não são colocadas num mesmo lugar, mas muita gente ainda troca votos por comida, dinheiro ou por um pouco de diversão em shows nas eleições'', lembra.
Neste ano em especial, para a sorte da grande maioria dos políticos, a Copa do Mundo acabou desviando a atenção dos brasileiros, deixando mais a vontade o pessoal das CPI's, do mensalão e os sanguessugas.
É certo que a Copa é um evento mundial, e que não é uma decisão relacionada exclusivamente às políticas nacionais, mas que o evento veio em excelente hora para a classe política, isso veio! Enquanto a população se divertia com os jogos nos estádios da Alemanha, o panorama político do País ía se definindo através de convenções partidárias, alianças e apoios nem sempre nobres.
No Brasil, o cidadão paga altos tibutos, mas não tem o costume de fiscalizar o destino do dinheiro público arrecadado. Vale lembrar que é com este dinheiro, o ''seu'' dinheiro, que são promovidos os espetáculos eleitoreiros e a compra de votos tão comuns nesse País. Cabe ao cidadão desarmar a tenda dos espetáculos e dar um basta à nada honesta prática do ''pão e circo'' no Brasil.

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