Brasil tem só uma academia
para a formação de rabinos
As mudanças nos conceitos de pregação religiosa não atingem somente as religiões que envolvem a grande massa da população, mas também aquelas não muito tradicionais no Brasil, como o budismo e o judaísmo. Apesar de serem religiões com ramificações espalhadas por todo o País, elas ainda não são muito difundidas, atingindo grupos restritos e muitas vezes discriminados pelas congregações mais representadas.
Um dos exemplos no Paraná é a comunidade judaica, representada por um grupo de aproximadamente 4 mil a 5 mil pessoas, que estão espalhadas por várias regiões do Estado. Hoje as linhas do judaísmo não-ortodoxo são responsáveis por uma grande renovação dentro do contexto religioso dos israelitas. Essas linhas, que se dividem em judeus conservadores, reformistas e reconstrucionistas, representam mudanças na interpetação das lei judaicas, mas sempre mantendo a essência dos conceitos.
Sérgio Feldman, professor do Departamento de História da Universidade Tuiutti do Paraná (UTP) e Coordenador da Escola Israelita em Curitiba, citou como exemplos da renovação uma série de obrigações que antes eram exclusivas dos homens e hoje podem ser feitas pelas mulheres. Uma delas é a função de rabino, que já pode ser exercida pelas mulheres. Elas também já podem substituir os homens em várias etapas do serviço religioso. De acordo com Feldman, apesar de uma boa parte dos judeus concordar com essas inovações, nem todas as linhas do judaísmo aceitam as mudanças.
Uma das dificuldades enfrentadas dentro dessa renovação é a formação de novos rabinos. Mesmo com a abertura para as mulheres, os rabinos ainda são poucos e muitas vezes precisam ser ‘‘importados’’ de outros países. No caso de Curitiba, onde existem duas sinagogas, os dois rabinos vêm da Argentina e dos Estados Unidos. Segundo Feldman, no Brasil existe apenas uma academia para a formação de rabinos, que segue a linha ortodoxa. No País ainda não existe nenhuma escola não-ordotoxa, para a formação de rabinos que integrem as linhas responsáveis pela renovação.
As transformações e inovações do judaísmo são baseadas no livro ‘‘Talmud’’, que traz a interpretação da Bíblia dos judeus. A renovação vem através do Talmud, que ao longo dos anos nunca deixou de ser discutido, comentado e adaptado aos novos tempos e situações vividas pelo mundo. O Talmud é a interpretação constante da lei, disse o professor Feldman.(G.F.)

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