Brasília - A confirmação da primeira morte por gripe A no País é um fato triste, mas esperado, afirmou o diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip. ''Quanto maior o número de casos registrados da doença, maior o risco de termos um paciente que não responde bem ao tratamento. Foi isso o que ocorreu'', completou.
Segundo informações do Hospital São Vicente de Paulo, a vítima fatal é o caminhoneiro Vanderlei Vial, 29 anos, que esteve na Argentina a trabalho e retornou no dia 20 ao Brasil. Inicialmente ele foi atendido na Fundação Hospitalar Santa Terezinha, de Erechim (RS). Ele ficou no local até o a última segunda-feira quando foi transferido para Passo Fundo. Ontem, o Ministério da Saúde confirmou mais 36 pacientes com a infecção, subindo para 627 o número de casos confirmados. Há ainda outras 477 notificações sendo investigadas.
A evolução da doença no País, na avaliação de Uip, segue um caminho bastante positivo. ''O alerta da OMS foi feito há dois meses e a doença se mantém controlada'', disse. Dos casos até agora investigados, 75% foram de pessoas que haviam viajado para o exterior. O restante é composto por pessoas que tiveram contato com pacientes que viajaram.
Ao anunciar o primeiro óbito no País por gripe suína, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão foi enfático ao dizer que o combate à doença não muda e que a população pode ficar tranquila. ''Lamentamos a morte e reafirmamos que estamos lançando mão de todos os esforços para evitar óbitos'', afirmou. A mortalidade do H1N1, vírus que provoca a gripe suína, é estimada em 0,4%, um nível considerado baixo. Além disso, ao longo dos dois meses, não houve sinais da mutação - a grande preocupação de autoridades sanitárias mundiais.
Apesar de o quadro não ser tão grave como se previa quando os primeiros casos no mundo foram registrados, a mobilização deve continuar. ''Não há como fazer previsões do que pode ocorrer. A prudência determina que a observação e a tentativa de controle da doença sejam mantidas'', completou Uip.
O diretor do departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, afirma que as atenções para o comportamento da doença deverão ser mantidas durante todo o ciclo de gripe no Hemisfério Sul e do próximo ciclo de gripe no Hemisfério Norte. ''Somente então poderemos nos certificar se o risco para a mutação do vírus é realmente muito pequeno'', completou.

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