Brasil tem pelo menos 1,5 mil surdocegos
Na Associação Brasileira de Surdocegos (Abrasc), Claudia e Carlos Rodrigues produzem um boletim informativo em parceria com outros deficientes audiovisuais. O objetivo, explica Carlos, é distribuir o máximo possível de trabalhos entre os associados, para estimulá-los a desenvolver suas habilidades.
Eles estiveram em Londrina esta semana ministrando uma palestra para 54 professores de crianças com deficiências de Londrina e região. O curso foi elaborado em parceria pelo Núcleo Regional de Educação, Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas de Deficiência Visual (CAP), de Londrina, e Grupo Brasil, do qual Claudia faz parte.
Segundo o professor Carlos Eduardo Frederico, mestre em distúrbio do desenvolvimento surdocego, as aulas são o pontapé inicial da capacitação dos educadores. ''Foram discutidos assuntos como o que é a surdocegueira, como preparar o professor para identificar e lidar com alunos surdocegos, além de mapear a população surdocega de Londrina e região'', diz.
As poucas informações sobre esta deficiência dão conta de apenas 1,5 mil surdocegos no Brasil, conforme afirma Frederico. ''A surdocegueira não é uma deficiência múltipla como a mental, por isso muitos confundem e tratam os portadores como deficientes mentais'', alerta.
Ainda segundo Frederico, a deficiência pode ser congênita ou não e é abordada em dois níveis, o pré-linguístico, quando o portador nasceu surdocego e precisa aprender desde pequeno uma nova forma de comunicação, e o pós-linguístico, quando a deficiência foi adquirida e é necessário adpatar as linguagens já aprendidas pelo surdocego.
Para a pedagoga Shirley Alves Godoy, coordenadora da área visual do CAP, iniciar a comunicação com o aluno surdocego é a maior dificuldade do professor. ''É preciso adaptar as linguagens de libras e braile, mas o mais importante é o trabalho pré-linguístico, ensinar a criança a ter uma vida autônoma e social'', completa.
Claudia Rodrigues não possui formação profissional, mas coordena uma oficina profissionalizante há 15 anos, em São Paulo, com o intuito de capacitar guias-intérpretes que auxiliem os surdocegos na comunicação com o mundo. No Paraná, aponta Carlos Frederico, cinco profissionais fizeram um curso de guia-intérprete, mas apenas um seguiu a profissão. ''O guia-intérprete tem contato direto com o indivíduo e requer muita dedicação, que chega a até 24 horas diárias em alguns casos.''
Para Claudia, a profissionalização de guias-intérpretes preenche uma lacuna deixada nas universidades. ''Já tem guia nas escolas, agora estamos batalhando para termos guias nas faculdades também'', assinala a coordenadora, ressaltando que em São Paulo o pagamento de guias-intérpretes fica a cargo da prefeitura, que também instaurou o Dia do Surdocego na cidade. (M.G.)





