Brasil tem mais de 3 milhões de
crianças fora das salas de aula
Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, apesar da tentativa do governo de aumentar o número de matrículas, o País chegou ao final do ano passado com cerca de seis milhões de crianças fora da escola, mais do que o dobro do número oficial no início do ano letivo (2,7 milhões), segundo estudo do economista Ib Teixeira.
Ele também leva em consideração os três milhões de repetentes crônicos. Além disso, o funil do sistema educacional indica que é um privilégio chegar ao segundo grau e à universidade: de dez estudantes que entram no ensino básico, apenas dois conseguem chegar à oitava série.
Os 3,1 milhões de crianças fora da escola, segundo número oficial, representam 2% da faixa etária em idade escolar (de 7 a 14 anos), que tem cerca de 27,6 milhões de indivíduos. O economista culpa a burocracia, os baixos salários e a má distribuição geográfica das escolas pela ineficiência da educação básica.
Em artigo na revista ‘‘Conjuntura Econômica’’, Teixeira critica o hábito brasileiro de construir escolas suntuosas, como os Cieps e os Ciacs, em beira de estrada, em vez de nos locais onde existem crianças. ‘‘Mesmo com o transporte gratuito, essa situação exige uma enorme força de vontade da criança. Se na favela funcionasse uma pequena sala de aula, daria muito mais resultados.’
Segundo Teixeira, no Chile o analfabetismo foi combatido com pequenas salas de aula e com professoras que recebiam do governo uma subvenção por aluno. Hoje, o Chile tem uma taxa de analfabetismo entre 3% e 4%. O estudo de Ib Teixeira indica ainda que o Brasil tem cerca de 20 milhões de analfabetos absolutos (dado que exclui os que sabem ler mas sem um nível básico de compreensão), o que coloca o País no mesmo patamar da Índia, de Bangladesh, da China, do Egito, da Indonésia, do México, da Nigéria e do Paquistão, entre outras nações. (E.A.)

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