A realidade de 23.839 analfabetos em uma cidade de menos de 500 mil habitantes, como Londrina, não é das digeríveis ao poder público e, principalmente, à população. Só de analfabetos funcionais (ou seja, com até quatro de estudo), o contingente de semi-iletrados sobe para 60.934 pessoas. Os dados pertencem ao Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados no Mapa do Analfabetismo, lançado em junho deste ano. O panorama nacional é ainda mais desalentador: são 16 milhões de analfabetos (acima dos 15 anos) e consideráveis 30 milhões do tipo funcional
Na tentativa de reverter esses números, foi lançada em setembro passado a Década das Nações Unidas para a Alfabetização, em Brasília, por meio de um acordo de cooperação entre a Unesco no Brasil (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em parceria com o Ministério da Educação e outros órgãos do governo federal.
Pela parceria, serão disponibilizados R$ 200 mil aos projetos de alfabetização no País. Os recursos foram captados pela Unesco junto ao governo do Japão.
Em seu site oficial, a Organização explica que a criação da Década da Albetização ''reforça as intenções e esforços no sentido de diminuir significativamente o analfabetismo, difundindo a mesma preocupação em todos os países do mundo'', uma vez que o processo é um direito humano fundamental e, ao mesmo tempo, um desafio quantitativo e qualitativo considerável para os países em desenvolvimento e para os países desenvolvidos.
Para os representantes da Unesco, experiências já aplicadas no campo educacional, no Brasil, têm mostrado que a alfabetização requer esforços intensivos, sustentáveis e focalizados, os quais, acreditam, não devem ser enfrentados com campanhas ou programas de curta duração, já que estão diretamente relacionados a conceitos democráticos como a cidadania.

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