O Brasil - maior país católico do mundo - caminha em direção à diversidade religiosa e, por conta da velocidade deste fenômeno, já há quem diga que ele pode perder este posto nos próximos 20 anos. A análise faz parte da pesquisa ''Novo Mapa das Religiões'', divulgada pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com o estudo, a população católica brasileira diminui progressivamente desde a década de 80, dando lugar ao crescimento de religiões evangélicas e práticas alternativas não ligadas ao cristianismo.

Conforme o levantamento, em 2000 os católicos representavam 73,89% dos brasileiros, caindo para 68,43% em 2009. Nos primeiros registros censitários, de 1872, o catolicismo atingia 99,72% da população livre, reduzindo-se para 89% em 1980 e 83,3% em 1991.''É um ritmo forte de transformação. As mudanças que aconteceram em cem anos agora estão acontecendo em dez. Se continuar essa perda de um ponto de porcentagem de católicos por ano, em vinte anos teríamos menos de metade da população'', afirma o coordenador da pesquisa, Marcelo Neri.

Para os especialistas do Laboratório de Estudos de Religiões e Religiosidades Fábio Lanza, doutor em Ciências Sociais e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e Cláudia Neves da Silva, doutora em História e professora do Departamento de Serviço Social da UEL hoje o cenário é de democratização religiosa. ''Legalmente, as pessoas podem mudar de credo e há garantia de direito ao culto na Constituição'', analisam. Apesar da democratização das crenças, adeptos de denominações não cristãs ouvidos pela FOLHA ainda sofrem preconceito. Leia mais na reportagem de Carolina Avansini.


E mais:

Budismo tem meta de expansão

Família vive diversidade religiosa

Católicos e evangélicos pregam diálogo

Religiões afro perseguem reconhecimento

Igreja abre espaço para gays

Islamismo vive ascendência no mundo

Centro prega ensinamentos de várias religiões

Espiritismo tem lugar de destaque

mockup