São Paulo - A má gestão do dinheiro público investido na educação faz com que o Brasil perca anualmente R$ 56 bilhões, segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que será apresentado em um seminário hoje. Se o País investisse na área com a mesma eficiência de outros sete países da América Latina, a média de escolaridade nacional subiria 2,4 anos e o PIB per capita aumentaria 10,5% em dez anos.

Entre 1999 e 2008, o poder público do Brasil gastou US$ 978 anuais por estudante, resultando em uma média de 6,1 anos de estudo da população. Sete nações latino-americanas (Uruguai, Bolívia, El Salvador, Peru, Paraguai, Nicarágua e Equador ) gastaram em média 7,4% a mais que o País (US$ 1.050 por estudante), mas a escolaridade da população ficou 35,2% superior à brasileira. A taxa média de analfabetismo nacional foi de 11,3%, e a desses países da América Latina, de 8%. A repetência dos alunos do primário, no Brasil, atingiu 21,4% dos alunos - índice também muito superior a dos outros países latino-americanos, que tiveram 5,8% de repetência.

Na comparação com outros países, o Brasil perde ainda mais. A China gasta o correspondente a 48,5% do gasto do Brasil, mas tem anos de escolaridade 19% superior, além de menor taxa de analfabetismo.

''Defendo que se gaste mais em educação, mas não se trata só de valores, precisamos de mais eficiência. Há países com gastos menores e resultados melhores'', afirmou Renato Corona, gerente do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, responsável pela pesquisa. Para o pesquisador, a culpa da ineficiência do investimento no ensino se deve a múltiplos fatores. ''Entre as causas temos desde a corrupção e a burocracia, escolhas políticas equivocadas até problemas simples de gestão mesmo, como comprar computadores sem dar o treinamento adequado para os professores.''

Além da média dos anos de escolaridade, o País fica atrás na qualidade do ensino oferecido. Das 57 nações que participam do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) - exame que mede habilidades de jovens de 15 anos em leitura, ciências e matemática -, o Brasil ficou com a 52 posição, perto de países do Oriente Médio e África. Quando comparado a países que gastam volume de recursos semelhantes por aluno, somente os alunos da Colômbia tiveram nota inferior à brasileira na educação básica. Uruguai, Turquia e Chile despendem como o Brasil, mas seus estudantes obtêm resultados muito melhores.

Segundo o estudo, além da perder em desenvolvimento pessoal dos alunos que estão aprendendo menos do que deveriam, o mau investimento provoca perdas econômicas para o País. A lógica é simples: profissionais mais educados são mais produtivos. Quanto maior a produtividade, maior a renda do trabalhador e, no acumulado, as riquezas do País. ''A educação, juntamente com o capital físico e tecnológico, é um dos elementos que mais contribui para o crescimento'', diz Corona.

''A única forma de uma pessoa realmente se emancipar e ter oportunidade igual de crescimento na sociedade é pela educação. E um bom cidadão vai ajudar a construir um bom País'', afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. ''Escola não pode ser depósito de criança. Temos de buscar a excelência em todas as redes de ensino.''

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