A dificuldade de engolir alimentos sólidos, pastosos ou líquidos é sinal de uma doença que passa despercebida pela maioria dos brasileiros: a disfagia. Pela falta de informação, as pessoas não dão importância quando o sintoma aparece. Só não sabem que a falta de tratamento da doença leva à desnutrição, e a demora na procura de orientação médica diminui as chances de cirurgia.
Profissionais das áreas de gastroenterologia, pneumologia, otorrinolaringologia, neurologia e fonoaudiologia, entre outros, estarão reunidos de hoje a sábado, no Segundo Encontro Brasileiro de Disfagia, no Hotel Bourbon, em Curitiba, para discutir o assunto. ‘‘A intenção é criar condições de diagnóstico precoce e um tratamento mais adequado’’, diz o presidente do Instituto de Gastroenterologia do Paraná (Igap), Júlio César Pisani.
Segundo ele, o Brasil preocupa porque ainda tem alto consumo de bebidas destiladas e também de bebidas quentes como o chimarrão, o que provoca irritação do esôfago e pode levar ao desenvolvimento de tumor. Além disso, ainda existe uma grande incidência de Doença de Chagas, que provoca o chamado megaesôfago.
Tumores de esôfago, faringe e laringe, distúrbios neurológicos, hérnia de hiato e esofagite causam a disfagia. A mais frequente é a hérnia de hiato, seguida de esofagite. ‘‘A inflamação diminui o esôfago e impede a passagem do bolo alimentar’’, diz Pisani. Nem todo mundo que tem hérnia de hiato desenvolve a doença. ‘‘Quanto maior for o refluxo de ácido do estômago para o esôfago, maiores as chances de se ter disfagia.’’
Os idosos são os mais propensos à doença, mas ela pode ocorrer inclusive em crianças. O tratamento mais indicado é a cirurgia, feita em casos de refluxo com hérnia de hiato, de tumores e Doença de Chagas. ‘‘Quando a hérnia de hiato é pequena, o tratamento é feito clinicamente’’, diz Pisani. O médico recomenda regime, corte de cigarro e de comidas gordurosas e condimentadas. Medicamentos também são indicados para neutralizar o ácido do estômago.

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