Brasil e EUA têm problemas iguais
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terça-feira, 09 de junho de 1998
Guilherme Pupo 
Os problemas com planos de saúde ou com etiquetas de produtos nos supermercados não fazem parte somente do dia-a-dia do consumidor brasileiro, mas também são comuns entre os norte-americanos. A grande diferença entre os dois países, nessa área, está na estrutura e na independência dos órgãos de defesa do consumidor - muito maiores nos Estados Unidos.
A avaliação é de Charles Bell, diretor de programas da Consumers Union, maior entidade de consumidores dos Estados Unidos. Ontem, ele participou em Curitiba de uma reunião de trabalho entre entidades de defesa do consumidor e outros órgãos ligados à área - como Adoc, Ministério Público, Procon, Ipem e Vigilância Sanitária.
Os problemas vividos pelos consumidores são muito parecidos. O importante é que os órgãos de defesa sejam desvinculados do governo para poder pressionar, comenta Charles Bell.
Ele observa que as instituições não governamentais de defesa do consumidor devem buscar sua auto-suficiência financeira, sem aceitar financiamentos que comprometam sua independência de agir ou emitir opiniões. Segundo Bell, uma das alternativas para isso é a distribuição de revistas específicas e a cobrança de taxas simbólicas dos associados.
Com campanhas de marketing, é preciso conscientizar o consumidor de que, com a assinatura de uma revista especializada, é possível economizar entre US$ 100,00 e US$ 200,00 por ano - evitando erros de consumo, explica.
Nos Estados Unidos, a Consumers Union é responsável pela publicação da revista Consumers Report, que tem cerca de 5 milhões de assinantes no país. A entidade, fundada em 1936, é uma organização independente, sem fins lucrativos e que tem como objetivos testar produtos, informar, servir e proteger o consumidor.
No Brasil, a maior dificuldade continua sendo o recurso financeiro e estamos iniciando um trabalho de conscientização do consumidor, comenta Fernando Kosteski, coordenador executivo da Associação de Defesa e Orientação do Cidadão (Adoc).
Ele disse que a entidade já está seguindo os conselhos da Consumers Union e iniciou a publicação de um boletim direcionado ao consumidor. O informativo traz dicas sobre aluguel, alimentos, planos de saúde, mensalidades escolares, cartão de crédito e casos reais atendidos pela Adoc. Queremos mostrar ao consumidor que ele pode economizar dinheiro se estiver bem informado sobre seus direitos, avalia.


