Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Os conselhos estaduais de educação brasileiros vão defender formalmente, a partir da próxima semana, que os países do Mercosul unifiquem currículos, diplomas e legislação educacional. Defenderão também que as escolas do bloco – formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – ampliem o ensino de história latino-americana.
Essas propostas serão debatidas entre quarta e sexta-feira da próxima semana, em Foz do Iguaçu, durante a 12ª Reunião Plenária do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação. Órgãos autônomos ligados aos governos, os conselhos são agências reguladoras do setor educacional nos Estados. Além dos conselheiros estaduais, participarão do encontro representantes de prefeituras, professores, reitores de universidades públicas e privadas e empresários ligados ao setor.
‘‘Hoje, os estudantes da América aprendem na escola sobre a história da Europa, mas não aprendem nada sobre a história de seu próprio continente’’, afirma o professor Teófilo Bacha, integrante do Conselho Estadual de Educação do Paraná e organizador do encontro. ‘‘Precisamos ampliar essa perspectiva.’’
Segundo Bacha, na questão da integração dos currículos, o Mercosul poderá usar como parâmetro a União Européia, que adotou o livre fluxo de estudantes entre os 15 países membros. Na União Européia, implantada a partir de 1993, já é permitido também que profissionais formados em um país atuem nos outros. Atualmente, câmaras técnicas do Mercosul debatem a unificação dos diplomas de nível superior.
Na questão da unificação da legislação educacional, o Brasil será o país que enfrentará maior dificuldade para adotar essa medida. Enquanto os demais membros são repúblicas unitárias, o Brasil é uma república federativa, que dá aos Estados autonomia para a adoção de normas educacionais próprias.

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