Lúcio Flávio Moura Especial para a Folha
Cerca de 150 brasiguaios estão impedindo a operação da balsa que liga o porto de Santa Helena (110 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu) a Puerto Indio, município paraguaio à margem do Lago de Itaipu.
O grupo protesta contra a ação de sem-terra paraguaios que vêm ocupando propriedades, destruindo e saqueando construções e ameaçando expulsar os agricultores de suas terras no departamento (Estado) de Alto Paraná, no leste do Paraguai.
‘‘Estamos cansados de sermos perseguidos e ninguém tomar providências’’, disse Lindomar Bernardes, 40 anos, brasiguaio que na tarde de ontem fazia parte do cordão humano que bloqueava a passagem de carros no acesso que liga o porto ao centro de Santa Helena (um trajeto de 1,2 quilômetro).
A disputa por terras na região, iniciada no princípio da década com o crescimento do movimento dos sem-terra paraguaios, se intensificou desde que um invasor morreu baleado em um conflito com brasileiros no final de abril.
‘‘Estamos assustados e nossas famílias estão correndo risco de vida’’, conta Jaime Nascimento, 38 anos, integrante do protesto e membro de uma das 38 famílias vítimas da violência dos paraguaios (dados do Consulado Brasileiro, em Ciudad del Este).
Dijalma Mariano da Silva, cônsul-adjunto do Brasil em Ciudad del Este (capital do departamento de Alto Paraná), afirmou ontem que o governo brasileiro já solicitou medidas urgentes do governo paraguaio para mediar a questão entre os sem-terra e os brasiguaios. ‘‘A situação é grave e Assunção já sabe disso’’, disse Silva. Cerca de 300 mil brasileiros vivem no Paraguai.
A maioria dos manifestantes afirma que irá liberar o funcionamento da balsa somente depois que alguma atitude for tomada. ‘‘A parte do consulado já foi feita. Agora é a vez do Estado paraguaio tomar alguma providência’’, disse o cônsul-adjunto.
A balsa opera nos dois sentidos de segunda a sexta, às 7h30, 11h30 e às 15 horas. O trajeto é de 22 quilômetros, vencidos em aproximadamente 75 minutos. A embarcação com capacidade para 600 toneladas atende principalmente aos próprios brasiguaios, que vêm a Santa Helena fazer compras ou em busca de atendimento médico. O serviço está paralisado desde a manhã de quinta-feira.

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