Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha
Enviado a Santa Helena
Os brasiguaios que há 22 dias impedem o funcionamento da balsa que liga Santa Helena (oeste) a Puerto Índio (localidade paraguaia à margem do Lago de Itaipu) prometem transferir o protesto para a Ponte da Amizade (que liga Foz do Iguaçu à Ciudad del Este). ‘‘Se não tivermos perspectivas de resolver o problema por aqui, levaremos o protesto para lᒒ, afirmou Lindomir Bernardi, líder do grupo.
A situação no local se agravou desde quarta-feira, quando a juíza-substituta da comarca de Santa Helena, Rute Lemuch Castilho, concedeu liminar de reintegração de posse à Mineração Floresta (concessionária que explora o serviço de balsas na região entre Guaíra e Foz do Iguaçu).
A ordem judicial obrigou o grupo de 100 brasiguaios a desocupar a área do porto, onde estavam acampados. O protesto continuou do lado externo, em uma estrada municipal que liga a cidade ao porto.
No final da tarde de ontem, depois de negociar a passagem de alguns caminhões e ônibus, o grupo desobstruiu temporariamente o portão do porto. Eles aguardavam a chegada do deputado federal Werner Wanderer (PFL) e um grupo de vereadores que se dispuseram a formar uma comissão para pressionar o Itamaraty e o governo paraguaio a tomar atitudes contra a ação dos ‘‘campesinos’’ (sem-terra paraguaios que estão invadindo e saqueando propriedades de brasileiros em Puerto Índio).

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