Mário CesarÁrea demarcadaEm 1979,
a Funai
determinou
os limites
da reserva
Barão de
Antonina em
3.750
hectares,
que eram
ocupados
por famílias
de brancos
e mestiçosAlgumas famílias de ex-posseiros da Gleba do Cedro afirmam que as terras da reserva Barão de Antonina não são dos índios. Os irmãos João Rodrigues, 64 anos, e Maria Olívia Rodrigues, 58 anos, garantem que os índios estão na área por questões políticas.
‘‘Em 1950, as terras dos índios eram próximas da cidade. Os políticos desapropriaram aquela área e empurraram eles para cá, onde morava a minha família. Em 1979, novamente os políticos vieram com a história de que ali era terra dos índios. Em 1985, fomos expulsos da terra depois de trabalhar mai s de 20 anos, sem receber indenização’’, desabafa João Rodrigues.
Com diversos documentos de obrigações com o Incra das décadas de 70 e 80, se dizem no direito às terras. ‘‘Os índios, principalmente o Tapexi (João Maria Rodrigues), venderam terras da Funai, arrendaram pastos e ninguém fez nada. Enquanto isso, a gente que quer trabalhar a terra não tem para onde ir’’, ressaltou Olívia.
A Funai garante que as famílias foram indenizadas com lotes de terras na região de Tamarana (60 km ao sul de Londrina), quanda a reserva foi desapropriada em 1985. Olívia e Rodrigues garante que nunca recebeu terra nenhuma. ‘‘O governo só beneficiou os arrendatários das terras. Quem era posseiro saiu com uma mão na frente e outra atrás.
A mulher do posseiro Antônio Gomes, foragido da polícia, Rosana Batarsi Gomes, apresentou uma cópia do documento de cessão de direito da área para o marido dela, além de Adenilson Cruz, Valdenir Rodrigues de Souza e Jabes Proença.
O documento foi assinado em junho de 96 por Reni José Pereira e outros ex-posseiros (maioria é da mesma família) que brigavam na Justiça desde 1985 pelo direito à terra.
Reni Pereira prefere afirmar que ele e as outras 12 pessoas cederam os direitos por não querer mais ficar com a terra. ‘‘Esta briga judicial vai ainda vai durar muito. A Justiça já nos deu ganho em primeira instância, mas o governo recorreu. Como estava ficando caro mantermos esta ação, quase desistimos. Um grupo de pessoas nos pediu para continuar com a ação e então deixamos com eles. Nós já estamos com a vida arrumada. Se eles ganharem, ótimo’’, argumentou.

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