Braga quer os nomes dos 33 policiais que participam do tráfico
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de abril de 1998
Guilherme Pupo 
O delegado-geral da Polícia Civil no Paraná, Artur Braga, determinou ontem à Corregedoria que apure o nome dos 33 policiais civis envolvidos com o tráfico de drogas em Curitiba. A denúncia do envolvimento foi feita pelo delegado Adauto Abreu de Oliveira, coordenador do Grupo Fera (Força Especial de Repressão Antitóxicos), e publicada ontem com exclusividade pela Folha.
Temos bons e maus funcionários, como em qualquer instituição. Se esses policiais forem traficantes, temos a obrigação e o dever de prendê-los, disse Artur Braga. O delegado geral da Polícia Civil afirmou que os nomes dos policiais serão divulgados assim que houver provas concretas do envolvimento deles com o tráfico.
O corregedor da Polícia Civil, Paulo Ernesto Araújo Cunha, conversou ontem com o delegado Adauto Abreu de Oliveira para definir como será realizado o trabalho de investigação sobre os 33 policiais. Como é um trabalho relacionado a tóxicos, tudo tem que ser feito com absoluto sigilo para possibilitar a prisão em flagrante dos traficantes, explica o corregedor.
Segundo ele, a Corregedoria vai atuar em conjunto com a equipe do Grupo Fera e da Delegacia Antitóxicos para averiguar a procedência das informações. É um trabalho que pode ser rápido ou durar vários meses, dependendo do andamento das investigações e de possíveis denúncias anônimas, observa Paulo Cunha.
Ele cita o caso do ex-policial civil Gilberto Chagas Ramos, preso em flagrante na semana passada com 9,24 quilos de crack e dois quilos de cocaína em pó, em operação coordenada pelo Grupo Fera. Eles trabalharam durante muito tempo em sigilo, e só divulgaram as informações quando foi feito o flagrante, disse. Segundo ele, a investigação deve ser feita por um número reduzido de policiais, para evitar o vazamento de informações.
De acordo com o corregedor, se for comprovado que policiais estão envolvidos com o tráfico será aberto um inquérito e o processo será encaminhado ao Conselho da Polícia Civil - que decide sobre a expulsão dos integrantes da instituição.
Segundo o delegado Adauto Abreu de Oliveira, os policiais atuam como traficantes ou fazem a proteção de quadrilhas, principalmente na região central da cidade. De acordo com ele, a maior dificuldade para prender os policiais em flagrante é que eles já conhecem a estrutura da polícia e os investigadores que agem à paisana em operações antitóxicos.
Uma das estratégias que já está sendo utilizada para comprovar a participação dos policiais no tráfico é a filmagem ou fotografia no momento do repasse da droga para usuários ou traficantes. Segundo informações do Grupo Fera, alguns focos do tráfico estão localizados entre as ruas 13 de Maio, Presidente Faria e Riachuelo; Alameda Cabral e Vicente Machado; e no Largo da Ordem.


