A exoneração em caráter irrevogável do ex-delegado-geral Artur Braga, com um pedido de aposentadoria, esconde uma guerra entre dois grupos de delegados pelo comando da Polícia Civil. De um lado, Braga, com a força do cargo. Do outro, Ricardo Noronha, com respaldo da categoria por ser presidente da Adepol e do Sinclapol. As desavenças chegaram a tal ponto que a oposição de Braga usou gravação de conversas telefônicas para forçar o afastamento. Nas fitas haveria ameaças de remoções de Braga contra delegados de polícia do grupo rival.
Ao contrário do que sustenta o secretário da Segurança Pública, Rubens Abrahão Tanure, tanto Braga quanto Noronha admitem possuir divergências pessoais graves. Apesar disso, o ex-delegado-geral nega a existência das gravações e sustenta que a decisão de deixar o posto teve motivações particulares. Cerca de um mês antes do afastamento, porém, no aniversário da Polícia Civil, ele havia afirmado que permaneceria no cargo até o final do ano.
Partidários de Noronha defendem que Braga foi pressionado a sair pelas disputas internas, que nasciam, especialmente, de policiais descontentes com transferências, as quais não teriam justificativas concretas. Pelo menos três casos assim foram fundamentais para determinar a saída de Braga. A gota d’água foi o remanejamento de seis policiais do Cope, um deles delegado de confiança de Ricardo Noronha. Todos os transferidos entraram com recurso na Justiça e anularam os despachos de Braga.(J.A.)

mockup