Bradesco aceita discutir instalação de portas giratórias
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quinta-feira, 23 de abril de 1998
James Alberti 
O protesto do Sindicato dos Bancários de Curitiba em frente à agência do Bradesco no Bacacheri, na Avenida Erasto Gaertner, durou apenas 30 minutos, tempo que o banco esteve fechado, mas obteve êxito desejado. A direção do Bradesco de São Paulo mandou fax ao sindicato ontem de manhã marcando uma reunião para o dia 28 deste mês, às 14 horas, na sede da diretoria regional. Na pauta da discussão, a instalação de sistemas de segurança, como portas automáticas.
Os sindicalistas alegam que tentavam conversar com a gerência do Bradesco desde janeiro, mas não tinham resposta. Osvaldo Alves de Araújo, diretor de Segurança Bancária do Sindicato, acusa o Bradesco de resistir à instalação das portas automáticas, desobedecendo a Lei Estadual 11.572, de maio de 1996, que obriga os bancos a colocar o sistema de segurança, mas o banco ganhou na Justiça do Paraná o direito de não instalar os equipamentos.
O diretor de segurança afirma que 60% das agências bancárias de Curitiba possuem portas giratórias, mas que nenhuma delas é do Bradesco. Ao contrário do que ocorre em outros Estados, como o Rio Grande do Sul, no Paraná o Bradesco não instalou as portas automáticas em nenhuma de suas agências. Por este motivo tem sido o banco mais visado pelos assaltantes. Somente neste ano, as agências do Bradesco foram assaltadas nove vezes na Região Metropolitana, quatro delas na semana passada.
O diretor de Esportes do Sindicato e funcionário da agência central do Bradesco, Divonzir Gonçalves Pereira, acha contraditório que um banco que tenha obtido R$ 824 milhões de lucro em 1997 e R$ 204 milhões somente nos três primeiros meses deste ano se recuse a gastar entre R$ 12 mil e R$ 15 mil, custo médio de cada porta eletrônica, para garantir segurança aos funcionários e clientes.
Pode custar caro ao próprio banco se não resolver investir. Não são poucos os clientes que pensam como a comerciária Maria José Andrioli. Apesar de nunca ter acompanhado um assalto, ela garante que, se isso acontecer, não vai pensar duas vezes em trocar de banco por causa da insegurança. Maria José tem conta-corrente na agência do Bradesco do Bacacheri, que foi assaltada na última sexta-feira. Para sorte do banco e da comerciária, ela não estava na agência no momento do assalto.
A assessoria de comunicação do Bradesco em São Paulo não desmentiu os números fornecidos pelo sindicato e confirmou a reunião marcada com os sindicalistas. Conforme a assessoria, o banco não desrespeita nenhuma lei estadual, porque obedece apenas as diretrizes do Banco Central. O banco pretende apresentar durante a reunião no final do mês os investimentos que vem fazendo para aumentar a segurança das agências.
Parece, porém, que as medidas não vem dando resultado. Ontem outra agência do Bradesco foi assaltada, desta vez em São José dos Pinhais. Dois homens armados de revólver levaram R$ 2.000,00 da agência da Avenida das Torres, às 13h30. Os assaltantes fugiram em uma Kombi branca. Ninguém ficou ferido. Até o final da noite, policiais do 17º Batalhão da Polícia Militar estavam no encalço dos bandidos.Direção do banco marcou reunião com o sindicato para
discutir a melhoria do sistema de segurança das agências
Albari RosaMaria José Andrioli tem conta na agência Bacacheri, assaltada na última sexta-feira: possibilidade de mudar de bancoOntem mais uma
agência foi
assaltada, em São
José dos Pinhais


