BR-277 vive caos durante oito horas
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segunda-feira, 13 de abril de 1998
Mônica Kaseker 
Pelo menos 16,6 mil veículos e mais de dez mil famílias ficaram presos cerca de oito horas num congestionamento de mais de 50 quilômetros de extensão na BR-277, entre Ponta Grossa e Curitiba, na madrugada de ontem. O afunilamento do tráfego no local onde está sendo construída uma praça de pedágio e a falta de policiamento rodoviário foram as causas apontadas pelos motoristas para o caos no trânsito. A viagem entre Ponta Grossa e Curitiba, que normalmente é feita no máximo em duas horas, levou oito horas. Dezenas de carros quebraram e ficaram sem combustível no caminho. No posto Sprea, que fica no alto da Serra de São Luiz do Purunã, combustível, água e comida acabaram por volta da meia-noite. Os donos da lanchonete fecharam as portas com medo de saques e da revolta de quem ficou preso no engarrafamento.
O pátio do posto amanheceu lotado de carros e caminhões de motoristas que não suportaram continuar no congestionamento. Pouco antes da meia-noite, já não era possível entrar de carro no posto e as pessoas andavam quilômetros a pé para buscar gasolina em sacos plásticos. Giuliardy Chemin Sprea, dono do posto, conta que era impossível atender a todos. Segundo ele, quem não conseguiu um lugar para dormir no pátio estacionou no acostamento para passar a noite.
A dona da lanchonete, Gladis Zanatta Severgnini, ficou assustada com a multidão que fazia fila para usar o banheiro e o telefone. Por volta de uma hora da manhã, já não havia nada para comer e nem mesmo água mineral. Servimos refrigerante sem gelo até as três da madrugada e tinha gente saindo sem pagar, conta. Por volta das três da manhã, decidimos fechar. Segundo ela, as pessoas estavam revoltadas e era quase impossível controlar a multidão. Gladis teme que nos próximos feriados a confusão se repita, mas vou tratar de me preparar melhor.
O eletricista Alexandre Tissot Pinheiro, de 24 anos, teve uma noite de fúria no meio do congestionamento. Dá vontade de entrar com uma ação judicial contra o Estado por causa deste absurdo, reclama. O que mais assustou Pinheiro foi ver famílias inteiras na estrada, mulheres com crianças de colo chorando de fome e de sede. Segundo ele, teve gente que foi para a outra pista pedir carona para voltar para Ponta Grossa e alimentar as crianças. Pinheiro esperava chegar em Curitiba por volta das 21h30, mas só chegou depois das 5 horas - quase oito horas depois.
O comerciante Valdecir Longo também estava entre os milhares de motoristas presos no congestionamento. Ele contou no trajeto mais de 60 carros com problemas mecânicos e falta de combustível e pelo menos 30 engavetamentos. Ele mesmo teve de emprestar combustível para uma família. Se uma gangue resolvesse atacar todo mundo, faria isso com tranquilidade, pois não vi um só policial no trajeto, denuncia.Presos em engarrafamento de mais de
50 quilômetros, 10 mil famílias sofrem
com falta de água, comida e combustível
Albari Rosa
RevoltaAlexandre Pinheiro (foto superior) foi obrigado a passar a noite na estrada: Dá vontade de entrar com uma ação judicial contra o Estado. Também preso no engarrafamento, Valdecir Longo (foto inferior) contou no trajeto pelo menos 30 engavetamentos e emprestou combustível para uma famíliaObras na pista e
falta de policiamento
rodoviário foram
causas apontadas


