Principal eixo rodoviário que liga o Paraná ao Mercosul ainda é uma est rada frágil e perigosa
AVENTURAAs deficiências da BR-277 estão presentes nos acostamentos, pontes e traçados antigos que não comportam mais o volume de tráfego intenso registrado ao longo da rodovia. Abaixo, a passarela construída na BR-277, entre Curitiba e ParanaguáA mais importante e também mais perigosa rodovia do Estado, a BR-277, que corta o Paraná de Leste a Oeste, continua sendo uma estrada frágil e insegura. Problemas estruturais e até mesmo de conservação ainda causam pavor e indignação entre os motoristas que trafegam por esse trecho do complexo viário estadual. A BR é utilizada para o escoamento da produção das regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul do Paraná.
Dos quase 700 quilômetros entre Paranaguá e Foz do Iguaçu, são raras as regiões onde a pista pode ser considerada em excelentes condições de uso. Entre Curitiba e as praias, apesar das irregularidades na pista, ainda existe acostamento e uma sinalização eficiente. As deficiências começam logo após a Serra de São Luiz do Purunã, agravando-se entre a localidade de Relógio (município de Irati) e a cidade de Cascavel.
Na Serra da Esperança, antes de Guarapuava, considerado um dos trechos mais perigosos da 277, nem mesmo a pista das duas pontes que existem no local oferecem boas condições de tráfego. O asfalto ondulado e com depressões causa medo e insegurança entre os motoristas. Quando chove a situação é ainda mais preocupante, com o aumento da instabilidade da pista. Logo no início da subida é possível constatar a precariedade da estrada, ocasionada pela ação do tempo e pela falta de uma correção adequada.
Na avaliação do micro-empresário Renaro Milek, que há cinco anos transita com frequência pela BR-277, até o momento a privatização não passou de uma operação tapa-buraco. Disse, que além da eliminação dos buracos e da melhoria no sistema de sinalização, a estrada ainda continua sem acostamento, cheia de depressões e sem a terceira pista em locais onde esse recurso poderia evitar vários acidentes.
Por ironia do destino, o movimento no negócio de Renato, que trabalha com a recuperação de rodas de liga leve, caiu em mais de 60%. Isso significa que os buracos na pista diminuíram, evitando que os veículos tenham suas rodas danificadas. No entanto, explica Renato, a recuperação das estradas ficou nisso, pois quando o motorista precisa do acostamento o perigo ainda está presente.
Para os caminhoneiros, que classificam como fundamental as terceiras pistas e os acostamentos, a estrada é uma verdadeira ‘‘arapuca’’. Arlindo Rodrigues de Oliveira, 40 anos, que trabalha há 15 anos como motorista de caminhão, disse que com a privatização esperava mais em termos de segurança. De acordo com Rodrigues, os acostamentos, que segundo ele não existem na 277, poderiam evitar muitas colisões. ‘‘Hoje se uma carreta carregada precisa sair para o acostamento, com certeza vai tombar’’, sentencia.
A situação na BR-277 só começa a melhorar entre Santa Terezinha do Itaipu e Foz do Iguaçu, num trecho de aproximadamente 20 quilômetros de pista dupla. A rodovia é administrada por três concessionárias. A Ecovia é responsável pelo trecho entre Paranaguá e Curitiba, a Caminhos do Paraná está entre São Luiz do Purunã e Guarapuava, e a Rodovias das Cataratas entre Guarapuava e Foz do Iguaçu.